Além do Sol Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito. Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily. E meu nome, estranho, é Vida.



lunes, abril 30, 2007 :::

Cumpleaños



Então eu não tenho mais 25 anos. Tenho 26. Outra alma que morreu. Não gosto no número 26, a idade não me importa, mas eu não gosto muito de número pares, há exceções - do 8 eu gosto - mas, via de regra, não gosto de números pares. Por sorte o ano é 2007.

Serei corajosmente sincera: foi um dos meus aniversários mais tristes. Quase todos são, porque quase sempre as pessoas querem se apropriar de uma data que é só minha, que só diz respeito a mim. Querem festa e comemorações, como se precisassem se utilizar da minha alegria de ter algo tão meu para serem um pouco felizes também. Não os culpo, sou eu que não sou normal, mas me espanta a incapacidades das pessoas mais próximas de mim de entenderem isso. Pessoas que estão comigo há mais de 25 anos ainda me pressionam por festa, bolo, happy birthday to you, etc e tal. Não sei se não percebem ou se não querem ver como eu me sinto infinitamente só e triste por ter que dar risos e satisfações. Talvez eu esteja sendo dura demais: eles apenas não querem admitir que sou assim, alguém egoísta.

A ressalva vai para os meus dois melhores amigos. Ele por ter me dado um presente que, apesar de uma ou outra lágrima, me fez sorrir. Ela por ter me ligado e, diferente de todos, me perguntado se eu ia viajar. Pelo menos a gente tem os amigos, mas me dói, e eu sinto por isso, que meu pai não veja isso. Minha irmã tudo bem, ele é incapaz de ver o que não é ela e se projeta sobre tudo. Ela é feliz assim. Meu irmão é um grosso mesmo, então dele eu sempre desculpo. Mas eu queria, num próximo ano quem sabe, que meu pai não perguntasse se eu ia fazer festa, se eu ia sair com alguém, se eu queria chamar os amigos. A contradição de tudo isso está no fato de que este foi o mais triste, e foi o único em que ele não fez bolo, nem me deu presente. Na verdade, eu gosto dele do jeito que ele é.

Na mesma semana do fato, organizei minhas fotos. Todas as que sobraram depois do incêndio. Com excessão da foto grande da nutrição e da academia. Todas as outras que são minhas e não viraram cinzas, estão organizadinhas em álbuns e cds. É como se minha vida tivesse começado aos quinze anos. E não teve como não chorar muito. Porque em quase todas eu pude ver como eu me engano conscientemente. Eu sei o que me faz feliz, sei que a solidão me é intrínseca como a tristeza, e sei que não sei nada sobre o mundo, sobre as pessoas ou sobre mim. Em todas as fotos das festas de aniversário, a imagem aliada à lembrança denuncia uma tristeza profunda, uma luta pela vida, para ser realmente feliz e livre. As fotos da mais genuína e verdadeira felicidade são as da ausência do controle externo. ETE, o tempo na kit, a faculdade. Quando eu não me sentia vigiada.

Mas o que mais me desidratou foram as fotos com a Vanessa. Eu simplesmente não consigo entender como ela pôde morrer. Não dá, sabe. Como é que uma amiga da gente simplesmente não vai mais estar ali nem em lugar nenhum? Certas fotografias são símbolos, contratos do que deveria ser. Eu, a Vanessa e a Domi na pracinha do Municipal no dia em que elas foram me visitar. Nós todos - Vanessa, Luciano, Caio, Domi e Beto - em Mogi. Eu, ela e o Caio no aniversário de três anos dele. As fotos são a garantia de que a gente estaria sempre juntos, mesmo com o tempo, com a distância e com as escolhas de cada um. E só ficaram as fotos, as lembranças e a obrigação de ser feliz, de viver num brinde à ela. Além do medo mórbido de que meus amigos morram todos e uma intolerância absoluta a flores e floriculturas.



Não era nada disso que eu pensava em escrever. Era pra falar da noite de ontem, do dia de amanhã, de como estou perto de novamente ter minha casa e da minha decisão de nunca mais perdê-la novamente. E pra falar que só de teimosia, vou ser feliz.

::: posted by Trinity at 01:22 Comments:



jueves, abril 12, 2007 :::

Para fins de registro...



"Nuns dias chove, noutros bate sol, mas o que eu quero lhe dizer é que a coisa aqui tá preta."

Apenas para que conste: ás vezes sinto uma tristeza desoladora, às vezes sinto uma esperança alucinante, às vezes uma alegria inexplicável. Procuro voltar para casa: como não é apenas metáfora, procuro também a casa para onde voltar. E sobre tudo isso não tenho tido como - por falta de tempo, condições e até coragem - compartilhar tudo isso. Escrevo sim, mas fica preso na memória do meu palm. Pelo menos não é dentro de mim. Não quero mais nada preso.

Continuo. Darei notícias assim que estiver em casa.

::: posted by Trinity at 23:09 Comments:






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