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Além do Sol
Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito.
Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily.
E meu nome, estranho, é Vida.
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martes, octubre 24, 2006 :::
Pra não dizer que eu não avisei
Para que eu não possa dizer depois que eu não sabia, venho por meio desta declarar que, enquanto escrevo isto, tenho plena consciência que estou fazendo algo que não deveria fazer. Algo que, embora eu não possa dizer que é contra a minha vontade, não é o que eu quero mesmo pra mim. E eu não deveria fazer porque sei (pelo menos agora eu sei) da minha incrível capacidade de envolvimento e atração pelo impossível. Ou seja, porque eu sei que vou me machucar.
Não é que eu estaja mal acompanhada, mas pode ser que eu não esteja acompanhada.
Enquanto isso, o Brasil contínua mal, com campanhas políticas pífias e ridículas. Enquanto isso uma amiga me escreve do Japão me dizendo que "o Brasil é um país rico mas que nós não somos valorizados...". E eu fico sem jeito de dizer que talvez seja porque quem pode fazer daqui um lugar melhor resolve ir e ficar no exterior, vendo o valor de seu trabalho em dólares.
E enquanto isso, a cada dez minutos da espera diária pelos ônibus da vida, eu sinto a falta de um carro como quem sente a falta dos brônquios, mesmo sabendo que um carro meu pode piorar os brônquios de um mundo inteiro...
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Trinity at 03:17
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domingo, octubre 15, 2006 :::
TUDO TÃO ERRADO QUE NÃO PARECE CERTO
Então o assunto da moda é política e eu que me contenho pra não virar uma revolucionária armada e louca tento não me intrometer, não opinar. Mas tem hora que não dá. No grupo de discussão da faculdade é Lula X Geraldo. No mailling de ex-alunos do 2º grau, idem. No trem, no metrô, no ônibus. Se algo dá errado ou é "culpa da Lula" ou é "imagina se fosse o PSDB".
De tudo o mair irritante é que parece conversa de surdos. Quando se dá entre estudantes de "nível superior" o negócio é ainda pior. Tem uns argumentos que mais espantam do que convencem. Tem outros que são verdades patentes que não fazem a menor diferença no final das contas. Exemplo: meu amigo poeta outro dia disse no bar que é só na época de eleições que se discute isso, que depois todo mundo esquece. Verdade, mas e daí? Melhor não discutir então?
Antes de tudo gostaria de dizer que nunca, em 25 anos de parca existência eu nunca vi esse calor todo na discussão e nem um 49 a 49. Pode ser que eu nunca tenha prestado atenção. Ou não. Sei lá, o caso é que as pessoas confundem tanta, mas tanta coisa, que dá nervoso. Outro dia tava conversando com um cara no trem. De início ele tava com um papo meio cafajeste, do tipo "vou falar de política que a mina é intelectual". Aí ele começou a atacar o Lula. Disse que ele não tinha um dedo. E? Depois que não tinha estudado nada. E? Depois que tinha comprado um avião. E? Depois disse que ia votar nele porque ele é do povo, que quem nunca trabalhou de verdade não sabe como é, que em time que tá ganhando não se mexe. Quando eu fiz cara de meu-deus-me-tira-daqui, o cara ficou nervoso e começou a falar do curíntia com um outro cara.
Aí o Geraldinho resolveu jogar tudo no campo da ética e da moral. E todo mundo anda cheio de moral pra falar de ética. Isso enquanto fuma um cigarrinho na plataforma do trem e joga a bituca na linha. Os lugares todos viraram palco para recitais de bom, belo, justo e verdadeiro. Sócrates ficaria orgulhoso. Recitam também dados decorados de Veja, Isto é e Jornal Nacional. Que o Lula dá esmola. Que o Geraldo vai acabar com o bolsa família. Que o Lula não sabe de onde veio o dinheiro para o dossiê. Que o dossiê é uma fraude (tão grande que ninguém viu o dita cujo). Que um é burro e outro inteligente. Que um é simpático e outro agressivo. E na TV um barbudo abraçando criancinhas com uma bandeira vermelha flamejante ao fundo. E na TV um cara com cara de presidente dos EUA andando com a bandeira do Brasil flamejante ao fundo.
Sabe o que eu acho? Que tá tudo tão errado que não parece certo. O povo brasileiro não tem a ética que cobra de seus representantes. O Alckimin não tem a ética nem a sabedoria que cobra de seu oponente. O Lula não tem a humildade que cobra de seu adversário. Todos dizem a mesma coisa e ninguém se escuta.
Minha esperança é a revolução de que faço parte. Utópica e anarquista, eu sei. Mas faço parte, que nem a Paloma Duarte mandou. Faço parte da Revolução Global pela Ação Individual. Não jogo lixo no chão, faço meu trabalho direito, doo sangue, não cuido da vida dos outros, não mando na opinião de ninguém e acredito na liberdade. Tento ter posições éticas coerentes com minhas ações, cumpro as leis que concordo, ignoro as absurdas. E acima de tudo, ouço o que outro diz e percebo a diferença em eu não concordar e ele estar errado. Eu voto no Lula por uma questão de escolher o menos pior. Não gosto do tipo de governo do Geraldo, voltado para metas e não para pessoas. Mas isso é o que EU penso, não o certo, nem o belo, nem o verdadeiro. É a minha ação individual, quem não concorda FAÇA diferente.
E o Brasil só continua de pé porque alguém disse que a gente é brasileiro e não deisiste nunca. Nem que seja não desistir de bater a cabeça na parede.
PS: Só resta a incomparável felicidade que é ouvir o meu mais novo velho CD dos Engenheiros: Simples de Coração ou o Segundo da Maria Rita. Mais uma vez, a estética justifica a existência.
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Trinity at 03:38
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lunes, octubre 09, 2006 :::
Inspiração
Então eu escrevo só pra dizer à Rebs um MUITO OBRIGADO pelo diagnóstico!!!
E agora, Catástrofe Psicológica é meu novo blog só para poesias, dores de cotovelo e coisas afins. Afinal, a gente nunca sabe quando outro terremoto se aproxima...
Valeu Rebs!
::: posted by
Trinity at 03:58
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