Além do Sol Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito. Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily. E meu nome, estranho, é Vida.



domingo, junio 11, 2006 :::

DIÁRIO DOS ÚLTIMOS DIAS



Não sei por quanto tempo mais eu seguirei tentando. Estes hão de ser os últimos dias. Algo deve acabar em breve: ou eu ou essa dor, esse nada. Se faço um diário é pela vã ilusão humana de que seja útil pra alguém. Mentira, eu não tô nem aí pros outros. Se faço um diário é pra desabafar: pôr pra fora e ver se sai de mim. Porque, apesar da imensa vontade e boa vontade dos amigos, há coisas que eles não conseguem nem ver, nem ouvir, nem entender. Eu sei que não é por mal, mas não dá mais pra ouvir como resposta de tudo "que isso vai passar".

Ontem, me levantei, me levei pro trabalho e tentei não deixar que as coisas desmoronem por lá também. Não deu. A partir de segunda tenho também de reconstruir uma relação de um convívio minimamente respeitoso com os meus superiores hierárquicos e demais autoridades policiais. Isso significa adeus academia até agosto, já que pretendo sumir do mapa em julho. Tudo bem.

Durante o dia, por alguns momentos, eu fui inteira um ser só, consegui esquecer e me entreguei ao trabalho. Foi legal. Dizer que me fez bem acho que seria exagero, mas mal não fez - só quando percebi que poderia ser uma máquina pra sempre. Terminado o plantão, me levei até a faculdade, deixei uns textos na xérox, cometi o insano ato de ir ao Shopping nas vésperas do dia-dos-namorados (sobre o qual eu não quero falar), me levei de volta pra faculdade, me obriguei a ficar quieta e sentada na cadeira por uma hora e meia enquanto o professor falava. Depois, entendi que eu deveria tentar voltar a ter uma vida mais ou menos normal e me mandei ir à casa de um certo cavaleiro amigo meu em companhia de outros amigos. Não sei se foi bom pra mim, mas pelo menos minha solidão e tristeza puderam passear com as dele por um parque - a que elas chamam bosque - durante a madrugada. Depois, levei as três - as duas mais eu - pro meu quarto. Dormimos.

Lá pelo meio dia, todos os planos idos agua abaixo pelo adiantado da hora (pra variar), acordei, tomei banho e me levei correndo pra faculdade onde encontrei as portas fechadas, atestando mais uma vez que este planeta não segue meu fuso horário. Socorro pedido e atendido por uma amiga que me empresta o texto imprescindível para a prova da segunda. Num supremo esforço, vã esperança de sentir o sol, acompanhei por instantes os amigos que iam pra uma festa hoje a noite. Como eu disse, vão esforço. Dali segui para a lan house em outra vã esperança e depois para a Praça Roosevelt assistir uma peça de Lorca. No palco, uma mulher em desespero às beiras da insanidade. Na platéia uma nas beiras da sanidade.

Voltei. No trem, as lágrimas represadas por uns poucos dias se anunciaram ao som do Jota Quest. Tentei conversar com elas, explicar o quanto isso era degradante... fosse ainda Renato Russo, Jota Quest era mais que o começo do fim. Sem argumentos: hoje eu precisava te encontrar de qualquer jeito e estás perdido pra mim pra sempre. O frio no caminho até em casa, a cozinha arrumada, o computador lento, a ausência de um mercado e um cinema fizeram-se lembrar que nem pra minha própria casa eu ia ou tinha como ir.

Aqui, escrevi o dia pra me mostrar que eu fiz alguma coisa, que eu podia fazer alguma coisa, que mesmo que eu ainda não veja "o que me sobra além das coisas casuais", ainda me sobram as coisas casuais. Considero-me tentando.

Vou então sozinha pra cama que é onde eu realmente quis estar durante todo o dia já que não posso estar com alguém em outro lugar.

::: posted by Trinity Ohara at 01:48 Comments:



SANA-ME O ERRO



Ontem eu descobri que eu estava errada sobre muita coisa, quase quase tudo. Hoje eu tive certa certeza.

Tomara que eu esteja errada sobre isso também: hoje, a inexorável solidão do meu ser se atestou pelo esgotamento de toda felicidade possível. Ou, como quiser, não vejo como ser feliz de novo.

Nunca mais.

::: posted by Trinity Ohara at 00:41 Comments:






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SunLinks

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Álcool com Açúcar
Sblargh
O quarto
Suum Cuique
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Os ombros...
Minha Memória,
Angelica Liano,
Knight Errant .

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