|
|
|
|
|
Além do Sol
Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito.
Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily.
E meu nome, estranho, é Vida.
|
|
|
|
|
lunes, abril 24, 2006 :::
Morre uma alma...
Se eu bem entendi as aulas a quem tenho comparecido distante de mim, Nietzsche considerava o homem como um estado de almas. Várias almas. As vezes alguma morre e isso pode ser bom. "Além do Bem e do Mal". O que é bom e o que é mal deixo aos leitores decidirem.
O caso é que este blog - e uma certa história (de amor?) - fez 1 ano e eu fiz 25. Um quarto de século. Faltam 3/4, embora eu pretende terminar o assunto por aqui na metade do tempo. É incrível o que eu cresci neste último ano, é incrível a pessoa que me tornei. Tanto tempo passou e eu sou quem eu sempre quis ser. Nem mais, nem menos. Tá, talvez um pouco mais de dinheiro, um pouco mais de manhãs compartilhadas, um pouco mais de espaço. Mas menos não.
Neste último dia 16 uma alma minha morreu, outra assumiu o comando sem assumir que eram parecidas. Penso que a alma falecida começara a definhar no domingo anterior, morrera por não resitir àquela chuva toda: tanta água de dentro e de fora. Não morreu porque eu fiz aniversário. Morreu porque uma outra, leve de uma alegria inexplicável (por não ter entendido coisa alguma) ascendeu e derrubou-lhe, fraca, do trono. Morreu porque tirei-lhe um amor doído e ela não quis o outro que lhe ofereci. Não quis perceber, como sua sucessora, que era o mesmo amor, só que com outras roupas. Ela não quis se desvencilhar da imagem de tê-lo sem roupa alguma, não quis recorrer à memória - o quis sempre assim, e assim não era possível. Ela se foi, ele não sei. Ela não voltará. Ele, não sei.
Tal qual uma tradição, justificativa desnecessária que usei, escrevi outro e-mail. Desta vez menos bêbada, menos insone, menos lacrimejante, menos econômica e menos eufêmica nas palavras. Mas mais desesperada, mais próxima do limite, mais além do fim. Disse, disse não, escrevi, aquela palavra. Amor. "A sensação de que quase te amo.". Foi necessário. Pôs fim à lista de coisas que podiam ser feitas. Quase. Tudo o que podia fazer eu fiz. Só não fui capaz de dizer face a face, olho no olho, mas fazê-lo agora seria uma redundância inútil, sadomasoquista e obsoleta. Então tudo o que podia ser, foi feito. E eu não comecei a sofrer ainda.
Em breve deve começar a explicável dor da impossibilidade. A dor do não que, mais uma vez, ele não me deu com todas as três letras. São só três letras, que unidas à outras cinco, causar-me-iam a dor da liberação. Não. Nunca. Como quando a gente sai de cima da perna que se sentava em cima: dói, mas porque o sangue volta a correr. Não. Em vez disso ele me manda outras tantas, inúmeras, shakespearianas. E fala de amar, e de estar apaixonado, e do impossível. Mas não me diz que é impossível pra mim, o nós. Ele fala do fim, mas de um fim que eu já sei. Pouco me importa se tudo acaba no fim deste ano. Nem chegamos na metade. É sobre amanhã que eu quero saber, é o hoje que me interessa. E eu, presa na minha própria armadilha, não pude pedir respostas das perguntas que eu não fiz.
Não sei explicar, mas entendo perfeitamente a "Insustentável Leveza do Ser", livro atualmente promovidos a livro-da-minha vidan (sem prejuizo do filme). Eu sinto. Hoje eu sinto. Não sei quanto tempo não pesará isso que eu não sei como carregar. É uma leveza que, realmente, parece insustentável! Eu prefiro ser assim, até mesmo porque não sei se há escolha, mas às vezes eu me pego pensando se não seria melhor ter o peso da vida: amar querendo respostas, contratos, soluções. Amar querendo pra si e ninguém mais. Ter no corpo uma parte de si. Não, comigo não é assim. Nada disso tem peso pra mim. As coisas só são enquanto são (não, my dear Knight Errant, não estou eu a usar Parmênides como muleta, é que não sei falar de outra forma). Se carreguei o mundo naquela noite de chuva, foi só naquele momento. Hoje, nem marca carrego nas costas onde nascem asas a cada momento.
Kundera e o personagem do meu amor se misturaram. Quando o personagem me diz que "sexo é brincadeira de criança", vem o grande autor me dizer que "o amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (...), mas pelo desejo do sono compartilhado.". E eu concordo com os dois. Só não entendo porque também eles não concordaram efetivamente que "o sono compartilhado era o corpo de delito do amor"? Isso era só na ficção?
Não sei mais o que pensar diante do não saber o que eu sinto agora. Quem me dera ter lido antes "A Insustentável Leveza do Ser" e eu saberia que "não se brinca com as metáforas. O amor pode nascer de uma simples metáfora".
Não. De nada adiantaria. Porque só hoje eu entenderia. Porque hoje eu sou quem eu sempre quis ser, e quero mais. E diante do péssimo hábito que adquiri - o de conseguir o que se quer - só me resta continuar.
::: posted by
Trinity Ohara at 01:22
Comments:
viernes, abril 14, 2006 :::
Humana, demasiada humana...
Não sei se coisas assim devem ser registradas, mas eu acredito que sim porque eu vou esquecer como foi foda.
Não sei se coisas assim fazem aniversário, mas é depois de amanhã o dessa coisa em questão.
Não sei se coisas assim eram pra ser assim, mas, conforme previu Parmênides, elas são.
Fiz tanto esforço pra te contar a verdade - o maior esforço de toda a minha vida, o maior medo, o maior desafio, pra conquista tão distante que chega a ser nenhuma - que acabei mentindo: "eu gosto muito de você", não é isso em absoluto o que eu sinto, não era isso em absoluto o que eu tinha pra te dizer. Mas, acima de tudo, eu não esperava, em absoluto, aquele sorrisinho seu. Tudo bem, espero que subir a montanha seja relativo.
Talvez eu esteja cansada dessa história toda. Só que ela simplesmente não acaba.
Era pra ter acabado naquela noite de chuva em que eu quase bati na sua porta. Encharcada da representação à vontade eu te diria tudo, num só discurso que começava com "eu preciso te dizer uma coisa e tem que ser agora" e terminava com um "eu te amo" e uma corrida desvairada até o metrô mais próximo. Só que eu não tive coragem de me compartilhar, de te dar uma parte das minhas hipérboles. Fiz então o discurso entre lágrimas enquanto corria para o metrô pelo caminho mais longo. Fiz pra lua, pra rua, pra ninguém. Sozinha, como prêmio - ou castigo - pelo meu egoísmo. Também como prêmio, ou como castigo, eu senti que acabara. Que tudo tinha passado. Senti quase paz por não amar mais, por não mais ter certeza. Cheguei a sentir falta de tudo. Por dois dias. Bastou abrir a porta e seu perfume me alcançar. A volta, a dor, a indiferença. Eu, meu amor e meu egoísmo mudo.
Sinto a fraqueza. Sinto muito. Esperava mais de mim assim como esperava mais de você. Eu não sou tão forte - nem por isso frágil, mas sim, covarde - e vc não é tão maduro nem tão perfeito assim. Nunca ficaremos juntos porque somos covardes e egoístas demais pra isso: ambos guardamos, sem dividir, compartilhar, nem devolver, o mesmo amor.
::: posted by
Trinity Ohara at 03:07
Comments:
domingo, abril 09, 2006 :::
Então eu te digo...
... que há alguns dias vc me mostrou uma felicidade - mais que alegria, felicidade - que eu jamais sentira antes, que eu jamais poderia imaginar (e como eu imaginei). Foi perfeito, porque foi inesperado e sincero. E porque foi você.
... que há alguns dias vc me mostrou uma tristeza - não decepção, tristeza - que eu jamais sentira antes, que eu jamais poderia prever (e como eu previ o acontecido). Foi perfeita, porque foi inexplicável e sincera. E porque foi você.
... que pelos dois eu lhe sou grata. Porque foi inesperado, inexplicável e sincero. Porque foi você. Porque fui eu.
(Então eu não consigo te dizer coisa alguma, porque sou covarde e medrosa. Porque eu tenho medo de perder vc, mesmo não te tendo sempre. Porque eu te amo. E, talvez porque, mesmo sabendo que o amor é sempre o contrário de si mesmo, o amor só seja amor na ausência e no silêncio.)
::: posted by
Trinity Ohara at 04:08
Comments:
|
|
|
|