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Além do Sol
Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito.
Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily.
E meu nome, estranho, é Vida.
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jueves, enero 19, 2006 :::
MINGUANTE PARA O NOVO
A lua me ouviu. Ela sempre ouve, eu, que, displicente, me esquecera disso. Ela me ouviu e respondeu meu pedido, atendeu minhas súplicas, com olhos azuis e pele branca prateada pelo luar ao som de violino e Rock and Roll. Altiva e serena, afastou Murphy e nos deixou a sós. Com uma bondade quase maternal, deixou que o sol assistisse o telefone tocando no dia seguinte. Sorridente, iluminou as escadas que me faziam sair do cinema antes do fim do filme e se fez de paisagem pela janela do trem. Agora, lá fora, sinto que suspira. Talvez pelo alegre sentimento de mais um ser humano feliz. Talvez pela melancolia de reconhecer em mim também um ser humano, que depois de saciada certa sede, não se lembra de levantar os olhos e agradecer.
Corrigida a falta, agradeço. Por tudo. Pelo sábado de lua cheia. Pelas noites de telefonemas. Pela companhia de todas as noites. Pela paciência com a minha impaciência. Por me ouvir sempre. Por me atender ontem. Obrigada por, mesmo eu não sabendo qual caminho seguir, iluminar os dois.
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Romy Trinity at 02:51
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viernes, enero 13, 2006 :::
CEDO.
OU TARDE DEMAIS?
Tá. Segundo post do ano. É meio cedo pra uma crise de solidão-melancólica-depressiva. Aliás, é muito cedo para a Síndrome do "estou sozinha em casa sem ter como sair ou amigos pra ligar" (promessa de ano novo: não farei mais o discurso "amigos sem drama", quem vier me encher o saco vou mandar ir se foder e pronto). Cedo porque o ano mal começou. Cedo porque hoje mesmo eu falei com um monte de amigos. Cedo porque sábado eu tenho uma festa pra ir. Cedo porque tive um bom dia de férias. Cedo porque tive uma noite legal vendo em filme com a família em casa. Cedo porque eu estou longe da TPM.
Mas é real. É cedo, mas é real. Agora são três da manhã e eu estou em frente ao computador digitando um post direto, daqueles cujos textos nascem na medida em que são digitados, com uma vontade absurda de ligar pra uma certa pessoa, de encontrar esta certa pessoa e estar junto dela agora. Mas eu não vou fazer isso por três motivos básico:
1. É idiota e inútil - mesmo se eu acordasse o indivíduo eu não teria maneira alguma de ir encontrá-lo antes das seis da manhã.
2. Eu não sei fazer isso. Nunca fiz, não tenho idéia de como se faz ou de como se diz pra alguém que não é nem meu melhor amigo nem meu namorado que estou sentindo falta dele. Simples, profunda e tenaz falta.
3. Não sei porque faria isso. Não seria completamente justo, porque as coisas não são tão simples assim e são dois os números que eu poderia discar.
Sabe, eu sempre me sinto sozinha, mas nas noites de lua cheia isso é palpável demais. Tá no meu corpo todo, na minha pele. E este ano está estranho com velhos fantasmas presentes. Então eu estou sozinha, carente e quase apavorada. Permanece em mim o desejo de mudar de casa, de voltar pra Sampa, de morar sozinha e ser livre. Mas também permanece a certeza, conclusão racional e matemática, que agora não dá e dinheiro não cresce em árvore. Acho que essa é uma das lições mais valiosas da infância. A decepção de quase ter conseguido mudar pra Mooca deixou a sensação terrível de perder o trem na plataforma, mesmo sabendo que era impossível correr mais. Eu sigo em frente porque não posso parar e não dá pra ficar sentada esperando o próximo trem.
Amanhã é sexta-feira 13 de lua cheia. A única do ano todo. A primeira noite da primeira lua cheia de 2006. Se o céu estiver como o de hoje será blasfêmia não ficar horas olhando para o céu. Meu cachorro já uiva. Foda-se meu ceticismo. Será uma noite mágica. E sabe o que eu vou fazer? Ou estarei em casa vendo filme ou no Belas Artes no 1º Noitão do Ano. Provavelmente sozinha. Ou com meu IRMÃO. Ou com uma AMIGA. Desculpem-me os céus por eu ser tão ingrata. Sei que isso é muito, é sorte maior que a de muitos e blablabla, mas, putaqueopariu, eu queria mais, entende? Eu queria pelo menos estar com alguém(ns) que me fizesse(m) esquecer a confusão mental e sentimental!!!!
Então, eu olho a tela. Olho a parte em branco e vejo as partes escritas. E concluo que de real (ou verdadeiro?) só existe o instante, o momento. Ter mais que isso é gastar a oportunidade pelo vício da memória e do discurso. E continou só, afastada da lua, na escuridão, assistindo sozinho a ridícula e vã luta entre o desejo e o sentimento. Perco a consciência. Ganha o maldito bom senso. Se vai o bom senso, chega a consciência. Talvez eu devesse ter ligado e não ter escrito certos e-mails.
O papel em branco se tinge de preto, irremediável. Como meu peito por seus olhos castanhos. Como meu corpo por seu toque direto.
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Romy Trinity at 03:44
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martes, enero 10, 2006 :::
FELIZ 2006
Eu quero ser feliz. No fundo, na verdade, sinceramente, eu só quero ser feliz. Quero além das formas pre-determinadas que minha mente crê certamente portadoras de tal felicicidade. Eu só quero ser feliz. E livre (embora eu ache que isto está subentendido).
Quero fazer da liberdade algo além do meu tema de pesquisa. Quero fazer da liberdade mote até para os poemas que eu não escreverei. Acima de tudo, liberdade, porque nada existe além dela.
Quero inovar, intentar, desbravar, inaugurar, fazer o novo, experimentar o mesmo, ir, ficar, desvanecer e permanecer. Quero tudo o que já fiz e o que nunca imaginei. Quero mais. Quero tudo. Quero agora. Neste ano, neste mês, neste instante.
Quero me ver livre da culpa, me desfazer dos preconceitos, me despojar das velhas idéias e dos velhos assuntos. Quero me libertar da velha forma de amar, amar de forma diferente, um amor que cresça, acresça e não me diminua.
Quero novas paisagens, novas músicas, novos perfumes, novas fotografias, novos filmes, tudo novo com os meus velhos amigos ali, pra dar o contraste, que sem contraste não há emoção, nem dicotomia, nem contradição. Quero esfregar na cara do povo a contradição. Quero esfregar na minha própria cara a concordância. Quero deixar claro que tudo é possível. O que não é, não faz parte do tudo. E de onde falta o impossível, não se pode dizer tudo.
Quero mudança. Todas. Até no que permanece. Mas principalmente no meu olhar, que é o único lugar onde ela pode almejar ser real. Fora dali, ilusão. E eu quero ilusão. Coerente ou inconsciente. Incoerente e consequente. Consciente e inconsequente. Quero entender o complexo o contemplar o simples. Quero ser o simples e ignorar o complexo.
Por tudo isso, a meta para 2006 é, com as mãos em concha, lavar o rosto com a água gelada e transparente de uma cachoeira bela e desconhecida. E depois mergulhar. Nua e sozinha.
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Romy Trinity at 21:41
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