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Além do Sol
Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito.
Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily.
E meu nome, estranho, é Vida.
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lunes, octubre 24, 2005 :::
ELOS, EROS, ETHOS
Eu gosto de ligações, cadeias, uma coisa depois da outra. Gosto de explicações, de saber o por quê, para quê, onde, quando, como. Gosto de novidades, do inesperado. Inesperado sim, sem razão, não. Gosto de mudanças, de fins bruscos, de acontecimentos incríveis, mas não de coisas soltas no espaço. Coisas fora de contexto. Frases fora da disciplina na ordem do discurso foucaultiano. Meu gosto, meu desejo, queira eu ou não, se traduz, se denuncia no meu discurso. O pensamento vira linguagem, se é que alguma vez não o foi. Por isso meus textos são recheados de frases começadas por "então", "assim", "por isso".
Eu gosto de pensar. Gosto mesmo. Pensar, raciocinar, racionalizar. Há, no meu próprio ato de pensar, um prazer indescritível, um prazer que permanece, se alonga, se renova, que se renova e se mantém mesmo depois de um clímax como o de uma tabela de calorias perfeita ou de uma equação resolvida. Na filosofia, tal prazer é mais intenso porque cada livro, cada autor, tem em si mesmo uma renovação. Na filosofia o prazer é maior porque nunca acaba e a cada solução um novo problema se apresenta. A filosofia é como um masoquismo: a sofreguidão traz o prazer.
Eu gosto de sentir. Porque o sentir não se explica, quiçá se nomeia. O sentir, nas duas vertentes que agora me ocorrem (o físico e o emocional), outra forma de prazer, sendo que cada uma é também, duas. O físico porque me faz não pensar. E não pensar é algo de que eu prescindo, também um prazer indescritível. O emocional porque me faz pensar também sobre ele.
Tudo então se calou diante da mensagem. "Acabou". Ao se nomear o fim ele se torna palpável. Cala meus pensamentos. Cega minha sensação. Desperta alguma emoção sem contudo prazer algum. Um despertador surdo, um coração que bate diferente, os olhos que não entendem nada. O fim faz com que se torne necessário um começo.
Não acabou hoje. Acabou quando eu dei as costas e não olhei pra trás. Foi ali. Quando quase odiei por conseguir o que queria ao me fazer querer também. A união de duas pessoas. Ele, eu, pelo paradoxo de conseguir através do não. Eu, ele, por negando, exercer a terrível mania de sempre conseguir o que se quer. Quando me senti tão mal por fazer, finalmente, a coisa certa. Quando todos os assuntos pareciam banais perante aquilo sobre o qual não falamos diretamente. É estranho que pessoas precisem de intermediários - computador, telefone, celular - para serem elas mesmas. Eis um dos inconvenientes de se tratar comigo e com a minha solidão. Nós nos camuflamos, e quando se sabe que um disfarce é um disfarce, ele deixa de ser pra virar um fantasia, uma ridícula roupa de palhaço. A intensidade do fato perante a previsível velocidade do fim. Isso choca. E não podemos alegar inocência. Alguém já sabia que eu não me apaixonaria. Eu já sabia que não haveria nada além. Mas a gente se ilude, porque, com ilusão até o não vira possibilidade. Agora sim acabou, porque a ilusão não serve mais.
E agora? Agora sobra o futuro. Mais que o resto da vida. Menos que a vida toda. Do futuro, não sei. Sei do que sinto, da certeza do que sinto. O que sinto é impalpável, e hoje, é meu, só meu. Não sobram lágrimas, não caem planos. Continua-se e só. Do desejo, sobra o desejo de liberdade. Que eu seja livre. Que um certo alguém seja livre. De todo o mais, o tempo se ocupa, devora. De mim, continuo. Só.
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Romy Trinity at 06:14
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lunes, octubre 03, 2005 :::
O ESPAÇO E O VAZIO
Não posso negar que ainda que esteja feliz por não te ter mais em mim, sinto falta de sentir falta de você. Por mais que me alegre não ouvir meu coração descompassado diante de uma foto sua, me faz falta o som. Não sei mais o que fazer na net sem ter que esperar por você, e hoje, nas cinco horas em que estive aqui, acabei por não nada fazer . Ontem eu pensava que te amaria pra sempre. Hoje eu acho que nunca te amei.
Não dói mais, mas também não entendo mais nada. Amanhã quem sabe, eu volte a mim já que já sai de você.
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Romy Trinity at 03:25
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VIDA - EM FASES, SEM FASES - QUE FOTO?
Hoje eu falei pra alguém que descobri que a vida é como um filme. São cenas, fotografias seguidas, um momento passando depois do outro, sem a menor obrigação de consequência ou ligação entre elas. Tem sido assim esse ano, esse mês, a última semana. Quadros, momentos, pessoas, situações, fotografias. E eu não sei qual eu devo postar aqui hoje, porque nenhuma contém a totalidade de mim realmente. Talvez porque eu esteja, sem saber como, em partes, pedaços. Também eu um filme.
Se fosse pra contar essa história do começo, diria que um dia criei, nem sei bem como, uma paixão, um apaixonar-se que me deixou apaixonada, num estado que perdurou por meses, me fazendo acreditar possível toda felicidade, um dia pelo olhar, outro pelo toque e que um dia me desgastou por não se gastar nem se consumar. Num dia depois desse eu resolvi que bastava, que o que achava que era amor devia acabar já que nunca começaria. E no dia seguinte eu tive certeza então que era amor sim, e que o amor, como eu, era mais que antítese, era hipérbole, uma hipérbole que me fazia andar na madrugada pensando comigo que amaria para sempre, imaginando uma vida onde a sombra dele pairaria eterna em cada momento meu. Uma hipérbole que me convencia que seria inútil, sempre, fugir pra onde ou como fosse. Então eu trabalhei, trabalhei como louca, praticamente duas semanas seguidas sem folga, para que o tempo fizesse sua mágica. E ele deve ter feito, porque senti, pensei, que não era mais tão forte, nem tão certo, nem tão presente, e na noite seguinte, alguém me libertou. Só que a mesma chave serviu para libertar e aprisionar.
Mas eu não vou contar história alguma. Porque, como disse há horas atrás, eu também sou passional, intensa. Uma intensidade atrelada ao momento, uma paixão filiada ao tempo, um sentir ligado ao agora. E agora o que sinto é que voltei. Ou cheguei, não sei ao certo. E ando por aí, ainda com as malas feitas, maravilhada com tudo. E desfazendo as malas, sorrio ao perceber que as lembranças da viagem são, ao final de tudo, doces, suaves, preciosas, ensolaradas. Cada peça, cada foto, cada cheiro, cada música, cada ato antigo, nem um deles traz o disparar apertado de um coração desesperado, apenas suspiros e um sorriso maroto sobre o ridículo do passado. Estou pronta pra ir de novo.
E sinto muito, muito mesmo. Sinto porque eu nunca quero fazer parte da sua história de amor. Não assim. Ela é só sua e dela.
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Romy Trinity at 03:19
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