|
|
|
|
|
Além do Sol
Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito.
Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily.
E meu nome, estranho, é Vida.
|
|
|
|
|
miércoles, julio 27, 2005 :::
PEQUENAS IMAGENS ETERNAS
Então meu amigo me escreve, um dia antes de hoje, um e-mail que intitula "inusitado". Um e-mail que fala, dentre outras muitas coisas, sobre ser pai, sobre o mar, o frio, personagens favoritos, as férias e seu fim, poesia, arte, filosofia, o que se sente e não se sente, o que acontece, surpresas não-planejadas e macarrão.
E eu que sempre prometo chegar na hora no trabalho, limpar as caixas de e-mail, responder os dos amigos, manter tudo em ordem, ler mais, dormir menos, estudar, ir ao cinema, ao teatro, visitar os amigos, planejar um pouco, viver além, por causa do macarrão de hoje, acredito, quase sei, que dessa vez cumprirei todas e cada promessa.
Porque hoje fui verdadeira, profunda e simplesmente feliz. Da hora que acordei até a hora de dormir (daqui 15 minutos), fui feliz. Fui feliz quando abri os olhos e, mesmo tendo perdido a hora a que me propus, vi que vivia a minha vida, do jeito que queria viver. Fui feliz quando me aprontei em minutos, peguei o trem, cheguei em casa, abracei minha gata, falei do cotidiano (que significa muito e mais) com meu pai, deixei umas roupas, peguei outras e voltei correndo pra cá onde estou até domingo. Fui feliz quando cheguei correndo, tomei um banho rápido e em 25 minutos já saía novamente. Fui feliz quando cheguei no metrô combinado, vi o grupo que me esperava. Mas foi sentada à mesa, durante o jantar, que a felicidade, absoluta, absurda, completa, imprescindível, expressa nas palavras do nosso mais eloquente filósofo expansivo, atingiu seu auge.
Agora, em frente ao micro, vendo um pequeno minuto da noite, tomei consciência dessa felicidade. Suficiente pra me lavar a alma, passar um traço na página da vida. Tão simples, gente, tão simples. Todo sentimento calado e quieto assistindo o triunfo da amizade. Nem aquele, aquele que gosta tanto de me provocar, se anunciou - me deixou degustar daquela e de todas as companhias. Quisera eu que todas as pessoas do mundo pudessem sentir isso: algo tão simples como macarrão, molhos, vinhos e amigos fazendo a vida toda valer a pena. Antes, para chegar lá. Depois, nem que seja só pra lembrar.
De repente, Renato Russo se torna exato "a riqueza que nós temos ninguém pode perceber".
::: posted by
Romy Trinity at 02:39
Comments:
martes, julio 26, 2005 :::
.... pra ver como a gente cresce com as inúmeras experiências na vida, finalmente tô pondo uma lista de links... mas ainda falta um pessoal...
::: posted by
Romy Trinity at 00:09
Comments:
viernes, julio 22, 2005 :::
ATUALIDADE, REALIDADE
Minha orientadora pediu pra que eu trocasse, no pré-projeto de pesquisa, a palavra realidade por atualidade. Disse que, se mantivesse a palavra "realidade" estaria afirmando que há algo de real. Trocando por "atualidade" a referência aos dias de hoje ficaria menos controversa. Meu amigo me perguntou o que eu quero. Depois outro me perguntou a mesma coisa. E outro, outra, até que parecesse um complô mesmo que perguntassem de forma, entonação e sobre coisas diferentes.
E daí? Daí que é difícil precisar o que eu quero atualmente. Realmente sim, eu penso que sei, mas aí é possível questionar tanto o que é real quanto o que eu penso que realmente quero. Em brumas. É como meus pensamentos têm se desenvolvido ultimamente. Nas Brumas de Avalon, e às vezes eu esqueço o segredo para abri-las e entrar em contato com o mundo do outro lado do lago. As palavras são as barcas e eu, que sempre soube remar o suficiente para chegar lá ou fazer um grande passeio, a cada dia sei menos o que fazer com os remos. Sobram ques, es, reticências, vírgulas mal colocadas, digressões, o sentido se perde. E eu nem lembro mais do que eu falava mesmo. Pra onde eu ia?
O que eu quero atualmente? Imperceptível contradição se estabelece. Contradição entre termos e idéias, em todos os sentidos, porque ao introduzir o atual, o hoje, entra junto a idéia do poder. Quando esse poder se aplica ao conceitos de tempo e dinheiro, aí as contradições beiram o paradoxo completo. A questão é que nada disso, nada desse debate filosófico quase acadêmico, responde à pergunta ou me isenta de respondê-la. Afinal de contas, o que eu quero? Hoje? Amanhã? Pra minha vida? Onde eu quero estar daqui há dez anos? Como eu quero que seja minha vida quando eu chegar aos 40?
Quando eu chegar aos 40 quero ter a certeza de que posso fazer tudo o que eu quiser, incluindo abandonar coisas antigas, "coisas seguras", começar faculdade nova, na hora em que eu bem entender. Não quero nada que me prenda, nada: filhos, marido, carreira, casa ou dívidas (principalmente essa). Não quero constituir patrimônio pra não ter que me preocupar com ele. Mas quero, lógico, uma vida confortável, e confortável implica apenas em ter liberdade e meios para exercê-la, sem luxos, sem exageros materiais, mas vou precisar de uma estante. E essa estante deve estar cheia de cd´s e dvd´s com fotografias, vídeos, hologramas (hei, estaremos em 2021) de viagens, eventos, festas - não do passado e sim do presente. Quero sempre que eu for dormir,ou depois de um bom banho, ter a certeza de que estou fazendo minha parte para transformar o mundo num lugar melhor, sem trair meus sonhos, sem a idéia cristã ridícula do sacrifício. Quero acima de tudo, ser totalmente independente, acreditar ainda que o mundo vai ser melhor, sorrir com a mesma espontaneidade de hoje, que as pessoas reclamem da minha gargalhada, que os chatos ponham o dedo no meu nariz pra me dizer que eu não tenho mais 20 e poucos e tenho que parar de me comportar assim. Quero ser a tia-ameaça para os filhos dos meus irmãos.
Daqui há dez anos eu quero estar na faculdade - fazendo a residência médica e o doutorado em filosofia ao mesmo tempo (ou teatro, na hora eu vejo). Estarei morando com a Sunshine num lugar barato, no centro de Sampa, talvez dando aulas, escrevendo artigos, e claro, frequentando os botecos da cidade. Terei melhorado minha sinuca consideravelmente e o taco sempre bate na bola, pelo menos na minha. E, ah, estarei fazendo algum tipo de trabalho voluntário, participando de guerrilha, luta armada, qualquer coisa assim, engajada. Acima de tudo, quero estar fazendo só o que eu quero, e mais, uma vez, livre de toda e qualquer coisa que me prenda à situação ou me impeça de jogar tudo para o alto.
Hoje, amanhã, pra minha vida. Sinônimos. Quero agir, viver o presente no mesmo espírito que projeto para o futuro. Senão, nada vai mudar. Quero coisais práticas. Dormir menos (muito menos, tipo só umas 8 horas por noite), ir além dos planejamentos, praticar alguma atividade física (além de levantamento de copo), estudar mais, conversar mais, ser menos impaciente, não ficar tanto tempo na internet fazendo absolutamente nada, comer melhor, e, acima de tudo me libertar das coisas que me impedem de parar, de jogar tudo pro alto e de um trabalho onde eu sinta verdadeiramente fazendo do mundo um lugar melhor, algo de útil para a sociedade. Em outras palavras, um pouco mais práticas, preciso de dinheiro e quero sair da polícia.
Talvez o que eu atualmente quero se reflita no que eu quero realmente. Talvez a última seja apenas uma ilusão, e a segunda também nela se transforme se eu não começar a agir. AGORA.
I haven't really ever found a place that I call home
I never stick around quite long enough to make it
I apologise that once again I'm not in love
But it's not as if I mind
That your heart ain't exactly breaking
It's just a thought, only a thought
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
'Cos nothing I have is truly mine
I've always thought
That I would love to live by the sea
To travel the world alone
And live more simply
I have no idea what's happened to that dream
'Cos there's really nothing left here to stop me
While my heart is a shield
And I won't let it down
While I am so afraid to fail so I won't even try
Well how can I say I'm alive
If my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
'Cos nothing I have is truly mine
'Cos nothing I have is truly mine
'Cos nothing I have is truly mine
'Cos nothing I have is truly mine
(Life for Rent, Composição: Dido Armstrong)
::: posted by
Romy Trinity at 20:42
Comments:
lunes, julio 11, 2005 :::
FÉRIAS
Então férias, então tempo. Finalmente. O estranho é que parece tão pouco tempo e eu ando precisando de um tempo, mínimo mas sufuciente, que eu acho que é muito, e com certeza, é muito mais do que o que eu terei nesses 20 dias que faltam para as aulas começarem de novo. Ano passado peguei férias em julho. Deiva ter feito isso de novo, mas quero deixar os quinze dias que me faltam pra tirar em 2005 pra novembro. Quero visitar Áurea, Ronnie e o bebê, ver se eles me emprestam um pouquinho do isolamento que eles tem lá. Como diz uma letra do Bonfá (ex-legião) "eu sempre precisei de tanto espaço pra ficar sozinho". Isso é muito real pra mim. Eu preciso ficar sozinha, pensar na minha vida, definir e redefinir rumos e ações. E eu preciso de espaço pra ficar sozinha. Não fosse algo com que me comprometi nessas férias, ia viajar pelo menos uns três ou quatro dias pra alguma cidadezinha do interior. Ficar num hotel sem TV, levar só papel e caneta, andar a cidade toda. Não ia dar pra descansar, que pra isso eu preciso da MINHA casa e isso ainda vai demorar seis ou sete meses (e contando), mas ia dar pra eu pensar um pouco com alguma tranquilidade. E preciso disso, e preciso de espaço. Mas eu sou forte, eu aguento mais um pouco, até explodir, eu aguento.
E da vida, o que eu conto da vida? Vez ou outra recebo algum e-mail me perguntando "e aí, como vai?". Quase todo dia eu ouço "oi, tudo bem?" (e eu odeio esa pergunta, como eu odeio). Os amigos sempre me perguntam sobre diferentes e particulares aspectos da vida que compartilho. As vezes acho tudo isso uma chateação, mas aí, momentos como esse agora, me surpreendo precisando colocar "com vão as coisas" pra mim mesma, pra eu saber onde estou no caminho que tô seguindo. Estranho, tão estranho...
Tem aquele amor, platônico como todos os outros, impossível como os outros, só que não secreto e próximo como nenhum. Mas acho que não é amor, porque eu respeito demais essa palavra. Não acho que é amor, mas como eu não sei, não conheço o que é amor, não posso afirmar com tanta certeza assim. Digo apenas que é um garoto, um olhar, um sorriso que mexe comigo, cada dia menos, cada dia de uma forma diferente, cada dia mais. A cada dia dói menos, quero menos, quero mais outra coisa, quero mais me ver livre disso, mas não sem agradecer pelo bem que isso me fez. A cada dia tanta coisa que pode desandar no dia eu que eu vê-lo novamente. Ou não. Porque ando querendo outra coisa. Ando esperando outra realidade, outra pessoa. E quero deixar de esperar para começar a construir. Deixar de esperar pra procurar a pessoa que perceba que e quais as músicas do Nando Reis foram feitas pra mim, que pudesse ver em mim o que eu não mostrei a ninguém, que me desejasse mundanamente, que me quisesse de forma subline, que eu pudesse fazer/ser/sentir por ela o mesmo. Procurar a pessoa cuja recíproca seja verdadeira e que me faça acreditar em tanta coisa, em destino, em outra forma de felicidade, de novo. Procurar e achar uma pessoa sem escolhê-la, deixar, pela primeira vez, que me coração escolha. O problema é que eu não sei como fazer isso, já que minha última escolha (porque foi sim escolha embora eu jamais admita) ainda lateja.
Tem também os amigos. Tão caros, tão distantes, e eu devendo ao menos uma tarde com cada um, porque eles merecem, eu mereço. A gente respira nessas tardes, e respirar é essencial pra viver. Sábado, depois de uma maravilhosa sopa com um grande amigo que até hoje não sei como encontrei nem quando percebi que ele era quem era, me dei conta do quanto são preciosos esses companheiros de viagem. Do quanto é importante essa companhia mesmo para os que são essencialmente solitários como eu. Hoje eu percebo o papel fundamental que a amizade ocupa nesse mundo que não ouviu o que La Boetie disse tão claramente. A amizade no lugar do poder é o caminho para o fim desse absurdo todo em que a gente vive.
Tem a faculdade e a filosofia. Ambas eu preciso me dedicar, desenvolver. Mas eu tô de férias delas...
E, tem por fim, meus sonhos. Arte, Medicina, Europa, São Paulo, aquela dúvida primordial. Por onde e pra onde eu caminho. Por onde e pra onde eu não posso me deixar perder o rumo e não retornar. Desvios e novidades são bem vindos, mas o horizonte tem de estar lá. Algum horizonte deve estar, senão estes, algum tão essencial quanto - e eu não consigo imaginar qual seria. Preciso sonhar, preciso realizar, preciso me ouvir e deixar de falar.
De todo o mais, o que eu mais quero agora é voltar a morar sozinha. E isso, agora não dá. É prosseguir então com o resto, pedindo apenas, ao mundo, a mim, um pouco de paz.
::: posted by
Romy Trinity at 01:14
Comments:
domingo, julio 10, 2005 :::
Coloquei links, e arrumei-os de novo
::: posted by
Romy Trinity at 17:52
Comments:
viernes, julio 08, 2005 :::
Meu mundo agora é assim
Me dá a mão
Me leva embora
Passou da hora, já bebi demais.
Ninguém mais me considera só velhos, bêbados e animais
Gastei tanta palavra por gastar, agora as pobres tentam se salvar
Me pega e leva
Porque eu te amo
Andei fugindo mas estou aqui. Escutando baladas bregas
Deixar de te amar não é pra mim
Não se deixa de amar assim
Seja como for , mas seja sempre o meu amor perpétuo
onde estiver esteja, onde está, meu peito aberto
Me pega e leva. Porque eu te amo
Andei fugindo mas estou aqui, derretido sentimental
porque deixar de amar não é normal
Não se desama dando um mero tchau
(Peito Aberto, Kid Abelha Composição: George Israel / Paula Toller)
::: posted by
Romy Trinity at 18:19
Comments:
E O MUNDO CONTINUA GIRANDO
"Mais uma vez o mundo parou", dizem todos os jornais, as rádios e as tvs. Mentira. O que parou mesmo foi Londres, quem tem parentes e amigos por lá, quem se importa, e, exagerando, a cúpula do G8. Ou seja, uma minoria. Uma minoria da qual não posso me declarar totalmente participante. Porque eu continuei almoçando, trabalhando, jogando paciência (já que não tinha internet). E de tarde passou video show, novela, teve quem fez piada, teve quem nem olhou pra TV. Mas, sabe, eu caminhava olhando para o meu umbigo e para os meus sentimentos desimportantes, quando eu vi aquele ônibus vermelho aberto no meio da rua. Parei. Quis chorar, quis chutar, gritar, bater, sacudir as pessoas. E as pessoas continuaram comendo, conversando, nem aumentaram o volume da TV. Quase chorei. Mas não, peguei o prato, coloquei alface, tomate, azeite, sal, limão. Comi a comida sem tempero, com gosto de sangue e pólvora. E engoli o choro.
Sinceramente, eu preferia estar lá, naquele ônibus ou metrô. Não só pra fazer parte, mas principalmente, pra fazer alguma coisa. Protestar, doar sangue, doar os órgãos. Qualquer coisa. Chorar ao menos. Qualquer coisa menos continuar a vidinha a pilha, desmontando por dentro a todo instante, a cada esmola negada, a cada dia que passa e eu não dou efetivamente um passo em direção ao meu sonho, que de tanto desmoranar, já nem sei mais qual é.
Se ao menos eu já fosse médica, poderia alimentar a ilusão de que tava fazendo a minha parte, ou pior, descobriria que não, que não há nada a ser feito. Ou que há outros caminhos. É, há vezes que minha esperança é mesmo risível, mesmo quando não tem graça nenhuma. As vezes, esse riso machuca. E nunca sara.
E eu que pensava hoje de manhã em publicar um post alegrinho, sobre o Sarau de fechamento de semestre, sobre meu sentimento não carregar tanta dor, sobre as minhas notas, sobre as férias, sobre filosofia e pensamento. O mundo, esse mundo que me estranha tanto, onde eu não me acostumo, fez questão de me lembrar que eu existo, quem eu sou, e que tudo isso implica em não ficar indiferente ou sofrer com a indiferença forçada pelo comodismo. Se era pra explodir, eu sinceramente preferia que explodisse o mundo todo, ou, pelo menos, só eu.
É. Ainda escrevo cartas de amor em papéis que cortam os pulsos, só que agora as coloco em caixas de correio com bombas dentro.
::: posted by
Romy Trinity at 18:16
Comments:
|
|
|
|