Além do Sol Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito. Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily. E meu nome, estranho, é Vida.



martes, junio 03, 2008 :::

O saldo (de mim?) do final de semana...



A idéia é ir na contramão, já que desperdiçar o tempo que vai, vem e está, está em voga. Junho é o começo do fim da primeira parte do ano. Mais do que tempo de (preencher com o verbo que melhor lhe couber).

Sexta, início das pesquisas e práticas para o quinto, que é o primeiro, dos tetrateratológicos. Suspense. O "Sarau Junino da Regional Leste", do Sindicato dos Bancários, foi uma boa partida. Com direito a música ao vivo, performances inusitadas e a própria Betty Boop lendo poesia de Marcos Lizardo. Algo sobre o vento, de tempos atrás. O mais interessante pra mim foi pensar sobre a questão das pessoas se agregarem, sobre associações e movimentos revolucionários. Sim, porque entendo a mudança, qualquer que seja, diretamente ligada à revolução. Outra coisa a refletir, é sobre organização de sarau. Definitivamente, qualquer tentiva de engessar um evento só o empobrece. É a possibilidade do impensável e do inesperado a dividir espaço com o esperado e o bem pensado que atraem pessoas, e torna fértil o campo da arte, da poesia, da filosofia e de tudo o mais.

A madrugada foi de discussões sobre São Paulo ser o único lugar do mundo. Se não o único, quem sabe o melhor. Apaixonados declarados pela cidade-da-não-garoa tentando produzir discurso e argumento lúcido e imparcial. Seria pueril, se não fossem três filósofos (!) e uma psicóloga. Digo, seria científico se não fosse pueril. No fim, foi produtivo. Fernando Pessoa na voz de Bethania veio em nosso auxílio e os olhos de Chico Buarque tomou para si a discussão. Nem Caetano saiu impune. O Tejo não é rio da minha aldeia.

Sábado, foi de sonhos esparsos pela manhã e de passeio pela Liberdade pela tarde. O pequeno Morpheus foi ao mercado e desafiou a truculência. Ganhou. Pois vejam só, que já na saída do supermercado, um senhor alto, forte, de terno preto e rádio na mão se aproximava na certeza de encontrar algo de muito suspeito debaixo do meu casaco. Afinal, aquele volume não parecia minha barriga. Antes mesmo da abordagem, os olhos do pequenino brilharam por entre os botões entreabertos e o distinto senhor quase perde seu disfarce de homem bravo. Sorte ele ter segurado o sorriso a tempo. Quase ninguém viu.

Pela noite, adeus e reencontros. As pessoas mudam mas são as mesmas, os amigos são os mesmos e parecem sempre novas e fascinantes pessoas. Uma só madrugada é tempo menos que insuficiente para sorvê-los totalmente, mas consegue fazer com que eu me surpreenda com o fato de como a vida vai seguindo. Boa viagem aos que vão, boa viagem aos que ficam. Cito Vinhão, a filósofa quase expansiva "um padre se amarra a um monte de balão de festa e viaja na direção contrária ao vento. E louco é a gente que fuma, bebe, e curte música. Tirou dez na faculdade? Quero ver tirar dez na Augusta." O Brasil perde para a Inglaterra mais uma mestra.

Domigo de manhã, mais sonhos esparsos. Pela tarde, vento contra o rosto, pé na lama e música em alto e bom som. Macy Gray no parque Villa Lobos: um dos melhores shows abertos da minha vida. Entre uma música que traduzia a mais bela simplicidade e outra que refletia uma dor tão profunda que era bela, todos se salvaram mais sãos do que antes. Ou menos.

E quando a gente pensa que a vida é só isso, que tudo acabaria bem, não dá pra saber de onde vem a mão que te esbofeteia a cara. O dia em que se faz 18 anos, não é dia, nem idade pra morrer. Muito menos assim, por uma escolha que nunca saberemos se é verdadeiramente uma escolha. Inimigo nenhum merece perder um irmão. Amigo, muito menos. A lei, nunca promulgada, mas profundamente necesária, que proíbe que os amigos morram antes, foi quebrada mais uma vez. Seria hipocrisia minha dizer que a Hiromi era minha amiga. Não, não era, mal a conhecia. Mas ela o era de todos aqueles adolescentes de moleton que estavam na igreja. Estudei quatro anos com a irmã dela, há dez anos atrás, e ainda somos amigas de uma forma tão absoluta que eu tive que me esforçar muito para lembrar que não era a minha irmã ali, naquele mural na porta da igreja. Mural que os amigos montaram para que todos soubessem que ela não era só um nome numa lista de missa de sétimo dia. Das coisas mais difíceis que eu fiz na vida, nenhuma se comparam a abraçar a Dona Márcia na noite de ontem. Não havia nada a fazer. Absolutamente nada.


Para os japoneses de Okinawa, Deus dá ao morto 49 dias para que ele ainda fique na terra, se despedindo. Ele pode ir, na velocidade do pensamento (agora que não está mais atrelado ao corpo físico), para onde quiser. Ver e estar onde seu coração o levar. À família e aos amigos, cabe fazer cerimônias, as vezes parecidas com festas, agradecendo a estada dele na terra, junto a eles, deixando e servindo alimentos para a viagem para a próxima etapa, doando luz e manifestando desapego. No 49 dia, faz-se a última despedida. Na sala, monta-se algo como um altar, com as coisas da pessoa, para que ela se identifique e se despeça também das próprias coisas. Ali se oferece orações e se incenso. Ao lado do altar, onde acredita-se que o espírito da Hiromi esteja sentado, tem um vaso de vidro que parece um aquário. Dentro dele, quem quiser, deixa um envelope com uma carta ou cartão de adeus. É por isso, que, muitas vezes, eu invejo quem ainda tem fé, mesmo que eu não saiba se ainda tenho.


Em dois dias, duas despedidas e uma canção de lavar a alma.


Há mais cá dentro.


Há mais lá fora.

::: posted by Trinity at 04:40 Comments:



sábado, mayo 03, 2008 :::

Das coisas que precisam sempre ser feitas




Nada como um feriado chuvoso. Quando me vejo assim, sentadinha na cama, escrevendo um texto sem nenhuma pretensão de utilidade, esquentando comida congelada, com um incenso aceso e uma musiquinha de fundo que não briga com o barulho da chuva, eu quase chego a desejar que todos os feriados fossem de chuva e frio. Sim, porque não basta que o feriado seja frio ou nublado. Apenas frio e apenas nublado, ainda é possível aceitar um convite pra um cinema, arriscar descer para o litoral pra ver se o não rola um mormaço, se jogar numa balada, ver uma peça de teatro ou se perder numa exposição por aí. Não, assim o feriado se vai numa tarde só no centro da cidade. E se tiver sol é pior ainda, se não se consegue ir à praia, cada minuto a mais na cama parece um atentado contra a moral e os bons costumes: a sensação de culpa por ter passado o sábado de sol todinho na cama é praticamente infinita.

Agora, vejam só. Estou eu cá, fofinha, limpinha e com o sorriso presunçoso de quem foi para a academia numa ponte de feriado. Sim, mesmo debaixo das cobertas, não fazendo o que eu devia (algo como estudar, lavar a roupa, limpar a casa, fazer comida, ir ao supermercado, imprimindo a declaração de IR) ou poderia (ir na locadora, no cinema, no teatro ou no Centro Cultural) estar fazendo, eu me sinto realmente muito bem e cumpridora dos meus deveres.

Dez horas depois de iniciada a escrita deste texto, e quatro horas dormidas depois, continuo gostando de feriados chuvosos, mas não posso deixar de pensar nas coisas que precisam ser feitas. E, num reflexo pseudo-filosófico, no porquê de elas precisarem serem feitas. É, de alguma forma, mais um retorno àquela antiga questão de "por que mesmo eu não posso ser feliz levando uma vidinha de granja?".

Sim, porque, pense comigo, não seria bem legal ter quatro dias de absolutamente porra nenhuma pra fazer? Sem uma lista imensa de coisas para pensar, textos para escrever, fotos para editar, conteúdo programático de concurso público, lista de vestibular, projetos de pesquisa, roupa pra lavare outro milhão de coisas que eu, às vezes desconfio que, inventei para ter que fazer. Será que eu realmente não poderia ser feliz com o meu emprego público garantido para o "resto da vida", com um dormir-acordar-comer-dormir-acordar-comer eterno?

Não. O mais irritante é que não. Eu tinha que inventar uma porra de um ideal, uma perseguição idiota ao que eu quero, eu tinha que acreditar que acredito em algumas coisas, tinha que ficar buscando um sentido para a vida. E aí, o que antes era o próprio paraíso ficar horas fazendo nada, torna-se algo parecido com culpa, mas que não é culpa, é consciência mesmo do tempo que se foi e das coisas que não se fez. E tudo viraria um imenso caldo enlouquecedor se eu desse ouvidos à todas as pessoas que não só não entendem minha busca como não entendem (e se acham no direito de ME questionar isso) a forma como eu busco.

Mas, calma, tudo passa ou não passa. São três horas da manhã, e já se foi metade do feriado. Emputecimento não vai parar a chuva nem fazer chover mais. Adiciono preceitos budistas à lista de coisas a aprender sobre o mundo e tudo ficará bem. No fundo eu sei que posso ser feliz não fazendo as coisas que eu deveria fazer, desde que eu tenha que fazê-las. E sei que posso ser feliz fazendo porque quero e não porque tenho que fazer. E sei que posso ser feliz não fazendo exatamente pelo mesmo motivo.

Porque a felicidade é uma possibilidade. Ou deveria ser. Ou não é.

::: posted by Trinity at 03:41 Comments:



jueves, mayo 01, 2008 :::

Sonhos




Os sonhos são como as pessoas: envelhecem. E, como as pessoas, ficam mais arraigados em suas opiniões, mais teimosos e cheios de manias. Começam por achar que as coisas deviam ser sempre como sempre foram, que antigamente as coisas eram mais fáceis, melhores, mais justas, que tecnologias e "novidades" ou não funcionam, ou torna mais complicado ou deixa tudo ainda mais difícil. E, como se não bastasse, também como os humanos, só quem convive com sonhos idosos, sabe a barra que é e sabe o medo que se tem de um dia os ver morrendo (mesmo sabendo que isso é, no caso dos sonhos, apenas um dos caminhos possíveis). Acreditem em mim, eu convivo com um há 10 anos.

O meu nasceu de uma gestação longa e turbulenta. Viu, ainda na infância, irmãos seus seguirem outros caminhos. Alguns, um pouco mais velhos, cresceram e, de certa forma, juntaram-se a ele e se tornaram um só. Outros, quase da mesma idade que ele, de certa forma se realizaram e o tornaram mais forte. Outros, mais velhos e mais novos morreram antes mesmo de terem forma. E ainda há os que são ainda muito pequeninos e se inspiram no irmão mais velho, naquele grande irmão que sobrevive, que luta e grita e se faz ouvir.

Este sonho que me guia tem suas manias: quer ser, quer ser por aquele caminho, e quer ser por aquele caminho e daquele jeito. De velho que se tornou, cada dia me custa mais fazer com que escute as alternativas. Exige que eu carregue no peito a camiseta com a estampa de uma faculdade com quase um século de existência, de uma das profissões mais antigas do mundo. Mais: inventa ainda que tenho que segui-lo sem me perder de mim mesma, mantendo meus escrúpulos e minhas opiniões nem sempre tão coesas. Quer que as coisas sejam como sempre foram, quando bastava haver uma prova para que eu soubesse das respostas todas. Pelo menos, ele ainda não se pronuncia contra a informática. Meu sonho pode ser velhinho mas é bem moderninho.

Mas o pior, a mais irritante característica que ele possui, depois da infinita paciência, é a de me fazer sempre, por acreditar, concordar com ele. E segui-lo.

::: posted by Trinity at 04:11 Comments:



viernes, abril 25, 2008 :::

Para a minha única irmã



Bia querida,


Sendo bem sincera, não sei se entendi muito bem o scrap em capítulos que vc me deixou. Mas, como eu sou uma garota esperta, não precisaria daquele texto todo para saber que vc não está bem e que escreveu aquilo tudo aos prantos. E bota pranto nisso. Não o farei de forma tão diferente. Então, para te facilitar, vou dizer tudo o que eu entendo da coisa toda e vc me diz se entendi tudo errado e me corrige, ok?

Do começo, porque tenho que começar de algum lugar. O fim de semana na praia foi bem interessante. Com partes divertidas, pacatas e muito aprendizado. Não fosse a sua ausência, poderia dizer, sem erro, que foi a primeira vez que reuniu-se toda a família do meu avô. Não me lembro nunca de ter passado quase três dias com o tio, a Dênia, meu pai e meu avô, no mesmo teto, fazendo o mesmo programa. Minha intenção era colocar a foto aqui, mas como a Denia ainda não me mandou, não vai dar. O que eu quero dizer com tudo isso é apenas uma reflexão: há mais de 50 anos, o jovem José desembarcava no Porto de Santos, completamente sozinho e sem nenhum tostão no bolso. Deixou para trás sua pátria e sua família, sem saber se um dia voltaria, sem saber se um dia os veria novamente. Deixou na Espanha a irmã que protegera e amara a vida toda. Brigou com muita gente, trabalhou muito, casou, enviuvou, foi pai, avô e sempre, sempre, teimoso. Fez tudo do jeito dele, mesmo todo mundo dizendo que não ou que sim. Fez o que achou que tinha que fazer. Acertou em muita coisa, errou em muitas tantas outras. Mais de meio século depois, ele estava outra vez, próximo ao mar, e poderia (se não tivesse chovido tanto) mostrar-lhe o que construiu: uma família. Nem perfeita, nem padrão, apenas uma família.

Se eu estivesse à altura de fazer um diagnóstico, eu diria que seu maior legado foi a teimosia. E que, absolutamente nenhum de seus descendentes, escapou a tal legado. Uma pena vc não estar lá para testemunhar tal coisa. Somos uma família de teimosos irredutíveis. Até a pequena Maria Julia, com menos de dois anos de idade, tem das suas.

Antes que eu esqueça, tenho que deixar aqui registrado que vc não estar lá não implicou em que vc estivesse ausente. Quero dizer, nas quase mesmas palavras, vc esteve lá o tempo todo, apenas não pôde se defender (o que eu espero ter feito a contento, pelo menos, fiz o que pude). É inegável que todos se preocupam com a sua situação. O tio, a Denia, eu, a tia Juanita. Meu pai é parte, não pode opinar. Meu avô, bom, meu avô já não é o mesmo velhinho falante e inquieto que nos acostumos a reconhecer. Já é quase um anicião que muito vê, muto ouve, muito percebe e muito pouco fala.

Vamos então à sua contenda. A minha posição se baseia em duas opiniões, base de argumentação todas as vezes que alguém quer falar do assunto: 1. Isso tudo é absurdamente ridículo e infantil. 2. As pessoas estão acostumadas - aliás, muito mal acotumadas - a criticar tudo o que vc faz, e isso criou um vício coletivo, do qual vc faz parte também, de tudo o que vc faz está errado. Desta vez, vc PODE estar certa, e eu estarei te apoianda até onde eu puder. Isso é tudo o que tenho dito a quem me pergunta "e a Bia, hein?".

O caso é que o que eu tenho dito é apenas um reflexo do que penso. Não vem a ser exatamente meus pensamentos nem exatamente minha opinião. Sim, porque, sinceramente, não entendo exatamente o que se passa. Essa sua briga com meu pai se me aparece como um prisma onde cada pessoa só vê, e só sabe me falar, de uma cor. Eu só gostaria de entender por que raios vc, o Ezequiel e meu pai não sentam, conversam e resolvem isso tudo como adultos? Pelo-amor-de-Deus!!! E por falar em Deus não venha me dizer que "Deus sabe o que faz", "só Deus te entende" ou "deixo nas mãos de Deus". Ainda que eu acreditasse piamente na existência de Deus e seguisse os preceitos espíritas, vamos combinar que se fosse pra Ele ter que resolver tudo, nem vc, nem ninguém, precisava ter reencarnado. Então irmãzinha, sinto te dizer, que isso tudo é um problema seu, e não de Deus, tá?

Isto posto, repito mais uma vez que eu estou do seu lado (ainda que eu concorde com o meu pai sobre certas coisas). Sim, porque acredito que todas as pessoas merecem crédito e quantas chances forem necessárias para fazerem a coisa certa. Entenda-se "coisa certa" como aquilo que te "faz feliz". E registre-se que estar a seu lado não tem nada a ver com não dizer o que eu penso. São coisas diferentes. Ou seja, se vc for casar amanhã, farei de tudo para que vc tenha um casamento tão legal quanto os das minhas melhores amigas. Se vc resolver sair de casa amanhã, pode vir para a minha kit até vc achar outro lugar. Se vc for pular do alto de um prédio, eu te tiro de lá e depois te encho de porrada pra vc largar de ser tonta. Eu só quero que vc fique bem. Quero falar com vc pelo telefone e não ter a sensação de que vc estava chorando ou vai começar a chorar logo que desligar. Quero te ver e ver alguém equilibrado (no sentido mais amplo da palavra), nutrido, descansado, feliz. Eu só quero sentir que vc está levando a vida da forma como vc quer e não, que a vida está te levando para onde vc não quer. Entendeu?

Por falar em entender, há algo nisso tudo que não sei se vc entendeu. Se já tinha entendido, peço que me desculpe pela repetição. O meu pai só quer te ver bem e feliz. Eu uso o pronome possessivo na primeira pessoa do singular, mas ele o é na primeira do plural e na segunda do singular. O meu pai, é o nosso e também o TEU PAI. Se ele disse pra vc não sei, mas pra mim ele deixou bem claro que o único motivo pelo qual ele não gosta do seu namorado é porque vc não parece alguém feliz e independente. Ele não é contra você se CASAR com o moço: ele é contra você DEPENDER dele. São coisas diferentes. E, sinto dizer, se a coisa se tornou pessoal, foi apenas porque o Ezequiel não deixou transparecer, até agora, que é alguém que está ao seu lado - nem atrás, nem na frente, nem carregando, nem sendo carregado - apenas ao seu lado.

Tente por um minuto imaginar que vc tem uma filha. Agora imagine que vc vê - de fora, apenas de fora - levando a vida que vc leva: a hora que vc acorda, a hora que vc dorme, o tempo que vc não tem livre, a desabalada correria que vc escolheu pra você desde que entrou no Centro Espírita de Poá. Será que vc veria alguém que corre ou alguém que foge? Será que vc não acabaria fazendo algo tão bobo quanto o meu pai vem fazendo? Puxe pela memória (e faça um paralelo, se quiser): meu pai, que é tão ou mais espírita que você, não gosta do CEAE Poá. Vive inventando coisas sobre a energia de lá e coisas assim. Será mesmo que lá virou um lugar pior só porque agora você está lá? Ou será que o único defeito de lá é ter se tornado um lugar onde vc se esconde de você mesma? Ou ainda, será que o único crime que aquele centro cometeu foi ter tirado você do meu pai?

Será que não acontece a mesma coisa com o seu(s) namorado(s)?

Não sei, simplesmente não sei. Eu só quero apenas que vc se acerte com o meu pai e que possamos, quem sabe um dia, mais uma vez, brincar de família de novo. Quem sabe então você compreenda de uma vez por todas, que nós não somos e provavelmente nunca seremos uma família unida, a família unida que vc imagina. Nós somos apenas, o que somos: uma família que mescla o sangue quente dos espanhóis com o sentimento de máfia dos italianos. (Eu e você ainda temperamos isso com uma falsa calma mineira e o sangue mais quente ainda dos pernambucanos). Vivemos separados e estamos juntos quando é preciso. Como agora, no que talvez seja, uma das últimas visitas da única irmã do meu avô, que já não tem mais 75 anos como há dez anos.

Desejo para nós esta sorte: de podemos estar nós duas, como únicas irmãs, de frente ao mar, prestando contas aos deuses de toda uma vida vivida de acordo com as nossas próprias escolhas.

Um grande abraço e obrigada pelo feliz aniversário. Mesmo estando longe, eu estive com você e esperei aqueles cartões ridículos e sentimentalóides de aniversário que vc sempre me escreve.

Trinity.

::: posted by Trinity at 02:10 Comments:



jueves, abril 17, 2008 :::

Aos 27



Afeição. A palavra é afeição. E agradecimento,claro. Afeição foi o sentimento exato que me percorreu, como um banho morno, o ser todo enquanto eu estava ali, no bar, "comemorando" meu aniversário. De tal forma, que quse atendi porque as pessoas fazem festa de aniversário. Quase. Ainda assim, confesso que se, este ano, marquei tal evento, foi mais pelos outros que por mim. Queria ter ido ao cinema. Ainda bem que não fui: aquele bar, meus amigos, a sensação de afeição na alma, uma indescritível paz e confiança. Que filme me daria isso?

Arrisco dizer que todos que estavam ali me são, talvez inconcientemente, muito caros. Tão fato quanto dizer que nem todos os meus amigos mais queridos estavam presente e que, sim, senti falta de alguém que talvez estragasse a festa, é dizer que não havia ninguém que eu não quisesse que estivesse. Um fantasma foi debandado daquele lugar. Agradeço. Aos deuses, na falta de alguém melhor.

A outra palavra é expectativa. E medo. E dúvida. O que mais vem agora? A vida será mesmo só isso? Tenho eu o direito de pedir mais?

Tenho eu o direito de me contentar com menos? 27 anos. A solidão, até quando? O virtual, alucinação?

Por fim, eu diria, pra variar, esperança. E uma leve desconfiança de que eu posso fazer mais e melhor.

::: posted by Trinity at 02:07 Comments:



martes, marzo 04, 2008 :::

Picuinhas?



Posto que a América Latina não tem, absolutamente, nenhum problema econômico, social ou ambiental para se preocupar, nada mais inteligente e sensato, em pleno século XXI, do que seus distintos governantes promoverem um clima de guerrinha! Claro!

Ainda bem que isso não tem nada a ver com o narcotráfico, ou eu poderia pensar que tem alguma coisa a ver com o fato de a Colombia ser uma das maiores produtoras de cocaína do mundo. E ainda bem que isso tudo está longe do Brasil e da nossa preciosa floresta. Puta que o pariu, que merda.

"Se é que é possível entender uma coisa dessas..."

"Notícias boas"
http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2653877-EI8140,00.html
http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2651292-EI8140,00.html

"A coisa tá feia?"
Brasil da Paz?Tomara...


Perfeito. Se isso não foder com o mundo, fode, pelo menos e a princípio, com o meu vestibular do final do ano.

::: posted by Trinity at 04:07 Comments:



jueves, febrero 14, 2008 :::

Pasmem!



Enquanto eu estava confortavelmente instalada na minha bolha, contemplando o meu fabuloso umbigo, o mundo continuava a girar!!! Mesmo que eu não desse a mínima para as coisas que eu acredito que acredito essenciais...

E por falar em mundo, eis que já posso me declarar oficialmente ALIENADA. Pois que fui saber DISTO pelo Diário Oficial do Estado. Mil chibatadas, por favor.

Oficiais
http://www.campus-party.org/
http://www.campus-party.es/blogoficial/
http://www.campusparty.com.br/
http://www.campus-party.com.br/blogoficial/

De quem eu achei na blogosfera que tá lá:
http://rastrodecarbono.blogspot.com/
http://www.ecodesenvolvimento.blogspot.com/

Sábado passo lá pra passar vontade...

Enquanto isso fico aqui pensando no que eu fiz pra desaparecer do mundo virtual.

::: posted by Trinity at 21:07 Comments:






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SunLinks

Álcool com Açúcar
Knight Errant
SS Pirata - R.G.
Os ombros...
O quarto
Suum Cuique
Encefalopsia
Minha Memória,
Angelica Liano,



VERGONHA NACIONAL

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Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito. Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily. E meu nome, estranho, é Vida.



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