|
|
|
|
|
Além do Sol
Trinity é a única que viu o sol, ela não pode morrer. Ela não morre, eu não permito.
Minha alma se chama Trinity. Minha essência se chama Romily.
E meu nome, estranho, é Vida.
|
|
|
|
|
sábado, febrero 21, 2009 :::
Quando (ou porque) a gente simplesmente não sabe. EU simplesmente não sei.
São sintomas. Apenas sintomas.
Você deve se preocupar quando você sabe tudo sobre seus quatro melhores amigos, nome, sobrenome, história, passado, presente, futuro. Você os chama pelos apelidos, Izzie, Georgie, Mer, Yang, Alex. Você às vezes odeia alguns mais que os outros, adora outros mais do que uns. Quando você passou tanta coisa com eles, os viu perder pessoas queridas, os viu à beira da morte, você deve se preocupar no momento exato em que o fato de eles não existirem, de eles não existirem na chamada vida real, não fizer mais diferença para você.
Você deve se preocupar quando precisar pelo menos de uma pequena dose para fazer as coisas mais simples. Uma dose de salbutamol para dormir, mesmo quando não estiver com bromquite. Uma única aspirina todos os dias para uma dor de cabeça tão real quanto imaginária. Você deve se preocupar quando não consegue trabalhar sem pelo menos uma gota, um gole, um cigarro ou um capítulo da sua série favorita de TV.
Você deve se preocupar quando se torna incapaz de perdoar a personagem de uma história imaginária por não segurar a mão do namorado baleado quando ele mais precisou, por não ter estado lá na S.O. quando precisavam de você. Você não consegue entendê-la, mal consegue perdoá-la, mas faz quase a mesma coisa, quase o mesmo exato abandono com seu próprio avô.
Você deve se preocupar quando sua própria vida se mistura com a fantasia, mas não de uma forma boa. Quando sua carreira é uma e sua formação é outra, quando seus desafios são um e seu cotidiano é outro, quando sua estrada é uma e o caminho por onde você caminha não está, absolutamente, te levando para lá. Você deve se preocupar quando não é capaz de analisar os fatos, de olhar para você mesma e perceber que não é mais médica hoje do que era há dez anos. Aliás, há dez anos, vc era mais porque nunca tinha prestado vestibular. Hoje, você já prestou 7. E nenhum para medicina.
Você deve se preocupar quando passa seis horas de frente para uma tela vivendo uma realidade que não é a sua, uma realidade que não existe at all . Você deve se preocupar quando começa a abdicar de seu próprio idioma, da língua que vc tanto ama, para usar estrangeirismos baseados em modos de falar de pessoas que não são você.
Mas, acima de tudo, você deve realmente se preocupar quando a ficção se torna o único lugar calmo, quente e seguro. Quando é lá que vc mora e quer viver, e o mundo factual, o que a nomenclatura oficial chamaria de "sua vida", é apenas um filme ruim e chato que vc assiste o dia todo antes de poder voltar para casa, tomar um banho, ligar o computador e finalmente chegar se sentir em casa.
Então, se o mundo aqui embora, ou aqui dentro, se tornou tão assustador, talvez seja a hora de encará-lo, de dizer-lhe algumas poucas e boas, e de romper com muitas coisas.
A primeira coisa com que preciso romper é com as análises, os pensamentos. Se continuar assim, vou enlouquecer ou me deprimir irreversivelmente. Eu não quero morrer, não penso em me matar, e prometi não fazer isso. Mas, nos piores dias, nos piores momentos, eu fico perto demais de água. Tenho medo de cair e não querer nadar. Por isso, preciso acabar com as análises complexas, cheias de variáveis, possibilidades e planos. Preciso encarar o que é a minha vida hoje: estou sozinha, cheia de contas para pagar, tenho cinco gatos, minha casa está uma bagunça, não tenho uma peça de roupa limpa, não consigo dormir antes do sol nascer nem acordar antes do meio dia, meu trabalho é entediante, as pessoas de lá parecem fúteis e preconceituosas (ainda que não todas e não sempre), meus textos estão cada vez piores, não consigo estudar, não consigo ver além de mim, sinto o tempo todo que meus amigos me sufocam (ainda que eles nem sempre estejam fazendo algo pra isso) e não me sentir bem em cuidar do meu avô estáme fazendo mal. Eu sou a Cristina e ninguém é a Meredith. Estou naquele lugar escuro e não tenho uma pessoa. Nenhuma análise vai mudar isso.
A segunda coisa com que eu preciso romper é com o sim, com o deixar estar, com o mesmo, o sempre. Eu preciso dizer não, preciso fazer coisas que eu nunca fiz, mudar e mudar de novo. mas acima de tudo, eu preciso dizer não, eu preciso parar. Não, eu não quero sair para beber e terminar com todos bêbados falando da mesma coisa e não escutando ninguém. Não, eu não quero falar sobre mim. Não, eu não vou ficar na cama mais dez minutos. Não, eu não vou ficar na internet ao invés de estudar. Não, eu não vou ver só mais um episódio. Não, eu não gosto que as pessoas me toquem e não, eu não sou obrigada a entender quando elas fazem isso mesmo assim. Não, não e não. Tenho uma lista infinta de nãos que eu nunca digo. Uma lista que é sempre preterida, que perde lugar para uma pequena mentira, para um telefonema ignorado, para uma promessa que nunca será realmente cumprida.
Por fim, a terceira coisa para romper é com idéia que fazem de mim. Eu não sou aquela pessoa. Sabe, aquela que vc pôs num molde, colocou uma etiqueta e carimbou, eu não sou aquela pessoa. Ninguém, absolutamente ninguém me conhece. Eu não me orgulho disso, eu só desisti de tentar fazer as pessoas me entenderem. Quanto mais eu tento, mais eu me machuco, então eu desisto. Se a solidão é inevitável, por favor, deixem-me sozinha, não me façam carregar mais um rótulo. Estou cansada de ter de corresponder às expectativas. Às vezes eu uso maquiagem, às vezes eu não depilo a perna, eu li Harry Potter e estou tentando ler a Crítica. Eu não gosto de sentir que preciso justificar tudo o que eu faço e naõ se encaixa só para poder ter um pouquinho de paz.
Então, por tudo isso, e por todas as coisas com que preciso romper, estou acabando com este blog. Porque ele me oprime. E eu não posso deixar que uma coisa que já me fez tanto bem, me faça sentir tão mal a cada post que escrevo, ou não escrevo, nele.
O outro blog, lá onde eu escrevo as coisas agora, está em algum lugar desse oceano. Lá, eu ainda estou cavando, ainda estou sozinha. Lá é minha pequena ilusão de desabafo, verdade e entendimento. E eu preciso, muito, desse pouco de ilusão na minha volta à realidade.
A blogosfera é redonda, talvez a gente se encontre novamente.
::: posted by
Trinity at 05:32
Comments:
sábado, enero 24, 2009 :::
O último pôr-do-sol
Bucólico, eu sei. Mas é só pra dar um tom de último dia. Pela agenda, ainda no hoje, palestras e debates muito interessantes. A idéia era pegar, no Campus Blog, a sobre Feminismo às 11 e a sobre Blogs no exterior, às 14 horas. Depois a oficina de blog no wordpress, na área de software, às 16; e, por fim, a construção de supercomputadores às 20h. Acredito que todas devem ter sido bem interessantes, mas às poucas que tentei assistir, meu cérebro se recusou a compreender as palavras.
Comigo acontece o efeito cansaço mental. Tentei virar ontem, mas às 05h, o frio e o sono me venceram. Sobre a noite, foi - graças a deus - sem som no palco principal. Eu até queria que tivesse música mas eu não a queria berrando na minha orelha. É também verdade que participei do movimento pela música, mas só porque acreditei que se ela voltasse, não ia voltar na ignorância. O movimento-revolucionário-pela-música-com-cadeiras quase foi bem sucedido: conseguiu a atenção da organização e recebeu uma explicação razoável, mas o argumento do hospital e do oficial de justiça foram bem persuasivos. Era ou música com interdição ou #cparty sem música por uma noite. Seguinte ao movimento, várias manifestações interessantes. Dança do Siri coletiva foi o mínimo!
Dia seguinte, como eu dizia, acordei ao meio dia, fui almoçar, gravei uns CD's e me senti empanturrada de dowloads. Vou fazer uma listinha pra terminar e parar de baixar. É muito estranho descer 1 giga em menos de meia hora. Isso sem falar no compartilhamento pelo DC++: os caras baixaram A internet. Depois do almoço, fui tentar ver a palestra sobre blogs no exterior. Cheguei, sentei, esperei. Pouco depois, o som de um dos palestrantes estava baixo e o outro tinha tradutora e o público pediu pra falar em inglês. Foi a gota de água para o meu cérebro, definitivamente eu tinha enchido o HD. Voltei pra moscar na net, andei pela área expo e fui para a oficina sobre o wordpress e não participei. Ok, confesso, depois de 6 dias ainda me perco aqui e só consegui achar a bancada uma hora depois de começada a oficina.
Mais net, janta, fotos e o ponto alto do dia: o lançamento do 1º robô colaborativo e de código aberto do mundo!!! Muito, mas muito legal. Deu até vontade de chorar quando os caras ligaram e ele acendeu os olhinhos. Lindo, lindo. Por que mesmo eu não prestei o ITA quando saí da escola? Isso sem falar que os caras fizeram a coisa toda aqui. Eles montaram um robô em 7 dias, trabalharam dia e noite, tiveram um puta trabalho, muita gente ali trabalhando por pura boa vontade e agora que tudo está pronto vão COMPARTILHAR. Isso é o futuro!!!
A adrenalina do robô deu um up na minha pessoa! Voltei pra bancada e fiquei pensando na verdadeira infestação de idéias e projetos entrando e saindo da minha cabeça. Voltei a pensar no meu futuro, o que eu realmente tô fazendo da vida, na sub-utilização da internet, nas posibilidades de uso dos softwares livres e como eles podem ser a chave para a sociedade que eu acredito ser possível. Se hoje uma equipe pode projetar, construir e dividir para multiplicar um robô, será que amanhã a gente não pode fazer isso com uma vacina, com uma política pública, com todo o conhecimento que o ser humano é capaz de criar?
Tanto pensamento que quando eu chegar em casa vou ficar umas quatro semanas deitada na cama olhando pro teto. Eu me pergunto o que exatamente a filosofia pode fazer pra ajudar, pra melhorar essa coisa toda? Porque pensar sobre isso é necessário, e tenho certeza que alguma valia e algum valor inestimável há nas Ciências Humanas em harmonia com as Exatas e com as Biológicas. Os pensadores humanísticos não podem estar fora dessa integração entre as áreas do saber. Há mais na filosofia do que na óbvia e repetitiva discussão ética. Ou será que a internet tornou-se tão rápida, tão factual que não pode abraçar nada além do prático e do objetivo?
Pensamentos e mais pensamentos. No palco agora a banda ou o cara Richard Serraria, a música está alta mas o som é bom. E é isso. Passado o crepúsculo, se aproxima a aurora de idéias e o longo dia da espera pela frente: Campus Party Brasil 2010!!!
O robô? http://www.theopenrobotproject.org
::: posted by
Trinity at 23:40
Comments:
viernes, enero 23, 2009 :::
20:12 23/01/2009 Post Tardio 3
As pedras e o meio do caminho
Entre o segundo e o quarto dia
A sensação de perda da noção do tempo e da organização que a ele se nos acostumamos a agregar é, das sensações fisiológicas, a mais inesperada. Eu me vejo fazendo como meu avô quando ficou no hospital mais de três dias, perguntando o tempo todo e a todo mundo que dia é hoje, qual o dia da semana. Sem falar que eu não sei dizer exatamente o que aconteceu ontem, antes de ontem ou hoje de manhã. Junte o fato de que a noite biológica, a cronológica e a virtual não se equivalerem, e não estranhe o fato de eu narrar os três dias como se fosse apenas um.
Então, uma tarde eu resolvi abandonar a auto-comiseração. Com muita certeza eu não sou a única pessoa aqui tímida feito uma porta, que sente como se fosse fazer algo extremamente constrangedor sempre que alguém se aproxima. Da mesma forma, não devo ser a única que se sabe completamente incapaz para a vida dita normal. Chega do discurso do ó meu deus, não consigo inflar meu colchão, ó não sei fazer amigos, ó não consigo achar minha barraca. Eu sou o que sou e, sinceramente, nem sempre acho tão ruim assim.
Isto posto, no auge do frio, esvaziei a barraca, enchi o colchão, dormi bem, me isolei no meu computador, conversei com as pessoas quando era o caso e fui nas palestras que mais quis. Nesse meio tempo, fui de novo à Santa Efigênia porque o chefe do cara com quem eu tinha ido no dia anterior precisava comprar memória para o computador e ia pegar o avião em algumas horas. Fui, voltei, almocei e passei a engrossar o coro que a coisa mais legal da #cparty é a troca de experiência entre as pessoas. O Werth (pra não ficar chamando de "chefe do cara") foi uma das personalidades mais interessantes que conheci por aqui. Hiperativo é o mínimo. Fala bastante, navega por assuntos diversos, o tipo de pessoa que não fica só falando e pensando, põe projetos em prática. O típico "então vamos logo". Super legal.
Finalmente terminei de limpar o micro, ler todos os e-mails, atualizar os blogs, comecei os dowloads. Isso sim é velocidade, vc não baixa os arquivos, vc derruba mesmo. Fenomenal. Só a velocidade da conexão e as possibilidades de dowloads já são motivos mais que suficientes para que ocorram tantos debates sobre legislação na internet, direito autoral, etc e tal. O que nos leva para a segunda coisa mais interessante do evento: as palestras. Em primeiro lugar vem as pessoas, em segundo, as discussões, em terceiro, o ambiente, em quarto, a conexão e em quinto as manifestações culturais. Se a conexão é de 10GB e está em quinto, já imaginou as outras coisas.
Todas as palestras e debates a que assisti fizeram pipocar um milhão de coisas na minha mente. A impressão geral que ficou foi a de que eu, e não só eu, subutilizo a internet, e que isso é um absurdo. A internet é sem dúvida o melhor meio para que a revolução aconteça. E se eu, que não sou a pessoa mais esperta que existe, descobri isso, é claro que o poder reinante tem vai se manifestar contra. A internet existir, dar certo, crescer cada vez mais e cada vez mais mobiliza mais pessoas, prova que liberdade não tem que ter limite. E isto, meu amigo, não é o tipo de coisa que um governo quer ver acontecendo por aí. A #cparty, por si só, já é um afronte à ordem estabelecida. Por que eu, que moro a menos de uma hora daqui, estou dormindo no chão e passando frio? Porque as pessoas se organizam do nada, no meio da noite, e se agregam em torno de um jogo de video game? Por que uma pessoa escreveria um livro e o deixaria livre para ser baixado por quem quiser na rede? Essas perguntas devem fazer um bocado de gente perder o sono.
Talvez por isso, as palestras sobre direitos, legislação e segurança na rede tenham sido tão acaloradas. Cabe aqui a citação do Ronaldo Lemos "ser blogueiro no Brasil é ser herói". Herói no sentido de ser aquele que corre PARA e não DO monstro. E às vezes perde. Os palestrantes vieram com a teoria, o público com a prática: relato de casos de processos e absurdos judiciais. O que nos leva para um outro ângulo do mesmo filme: a justiça burra. A distinção ente provedor, conteúdo, servidor, domínio, parece inexistir perante a justiça. De tudo, o mais preocupante é que, na falta da uniformização, reina o caos e a arbitrariedade. E nem falamos ainda na lei no papel e o papel da lei. Talvez isso tudo seja mais do mesmo pra muita gente, mas pra mim é um súbito emergir de uma piscina fria de conformismo.
A parte mais específica das áreas de conteúdo também foram bem instrutivas. Eu praticamente só vi as da área dos blogs, mas pelo interesse do pessoal, acho que estavam tão boas quanto. Os vencedores do oscar deste três dias são:
- Melhor Palestra/Debate: Painel sobre segurança na rede, na área de Software Livre. Phodástica!!!
- Melhor atração do Sarau Digital: Peça "Deus é um DJ"
- Melhor mobilização coletiva: Expulsão do funk do palco
- Prêmios especiais: Para o Jornal que todo dia distribuem e para a mesa "Internet is for porn"
Por enquanto é só, o envento inesperado do dia foi um simpático bichinho fugindo do meu prato. Logo depois de devidamente fotografado, soltei-o numa árvore de vazo. Foi a coisa mais verde que achei por aqui.
Amanhã, último dia efetivo da Campus Party e véspera da contagem regressiva para a Edição de 2010.
Frio!!!!
::: posted by
Trinity at 23:35
Comments:
23:02 20/01/2009 Post Tardio 2
Campus Party Brasil 2009 - O primeiro dia
#cparty
Tipo "diário de viagem". Cheguei ontem às 23h45. Desembarquei no metrô Jabaquara no melhor estilo "mulher que não sabe fazer mala e nem sabe pra onde ir" faltando dez minutos para a abertura oficial do evento. Santo táxi em ação, passei pelo credenciamento e registrei minha máquina ao som do Hino Nacional. Peguei a barraca pensando que talvez eu devesse ter colocado menos camisetas na mala. A sensação de olhar aquele monte de barraca azul, completamente iguais, é indescritivelmente assustadora. Ainda mais porque eu não tenho a menor noção espacial. Até hoje, eu só sei chegar na barraca vindo de um lado, se estiver do outro, tenho que atravessar tudo.
Falando em coisas difíceis, montar uma barraca sozinha sem estacas é realmente uma aventura hilária. Pra quem assiste, claro. Por sorte, um rapaz apiedou-se da minha alma e em segundos fez o que eu já estava tentando há quase 20 minutos. Mas nada, absolutamente nada, se compara a encher um colchão de casal com uma bomba de mão. Isso não é difícil, é inescrutável!!! Tentei por muito tempo, desisti, tomei banho, conectei o micro para testar a banda larga, voltei, tentei por mais meia hora e resolvi usar aquele colchão enorme e pesado apenas como isolante térmico. Realmente, tudo o que eu preciso é do meu saco de dormir, apenas ele.
A primeira noite na arena dos computadores até que foi tranquila. À parte minha completa desorientação espacial (olhei o mapa, andei tudo e não achei a arena dos blogs antes das 17 horas do dia seguinte), não tive problema algum para conectar e fazer uns dois ou três downloads de teste. Baixei meia temporada do Grey's Anatomy em pouco mais de meia hora, descarreguei minha caixa de e-mail em segundos. Terei que ficar em câmera bárica para me acostumar de novo com meu modem de 250MB. Fiquei até o corpo gritar que não dava mais e a mente entrar em greve, lá pelas quatro da manhã.
Dia seguinte, óbvio, perdi a hora do café da manhã. Em que planeta as pessoas tomam café antes das 10:00h da manhã? Como diria o Chico "Faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã". Mas beleza, erro meu nascer no planeta errado. Depois do banho, absolutamente sem filas, vim para as arenas, assisti o fim do mini-curso de XHTML que eu tinha marcado na agenda, depois peguei a palestra de Filosofia da Informação (vício é vício). Confesso, com certa vergonha por causa da minha profissão, que quase nunca entendo o que as pessoas falam no microfone. A palestra de filosofia foi mais ou menos assim, mas deu pra sentir aquele calor confortável ao ver nomes conhecidos na tela: Ari, Popper, Kripke, Kuhn, e outros. Deu até vontade de ter trazido a KrV, peso por peso inútil, ninguém ganha do colchão.
Depois, dediquei-me à tarefa de não jogar o micro na parede (até mesmo porque aqui quase não tem parede) com a velocidade com que o Nero 9 grava. Baixei o programa para teste e, meu, nem morta. Tá certo que com o Nero eu tenho certeza que qualquer coisa vai ler o disco (o que não acontece com o CDBurnerXP, por exemplo), mas meu deus, paciência tem limite e meu HD também. Já faz tempo que quero migrar para o uso de softwares livres, o Nero só acelerou minha vontade. Isso vencido, fui até a barraca e tentei encher o colchão de novo, com sucesso de 15% com 100% de fadiga. Só que esqueci o bico aberto e algumas horas depois, quando voltei, todo o trabalho já era. Melhor ir almoçar.
Muito boa a comida!!! Enorme a fila, assustadora até. Quando vi já fui me arrependendo de pegar o pacote de alimentação, mas foi só comer que o arrependimento passou. A comida além de ótima não é sabotada com carnes. Tá que no almoço era peixe, mas não tinha presunto no arroz ou frango no macarrão. Comi muito bem no almoço e na janta. Além da ótima comida, vale constar que a hora das refeições mostrou-se extremamente propícia para o contato humano. Conversei com pessoas. Gostei muito de conhecer um garoto de 17 anos de Tatuí (não sei o nome porque acho hipocrisia perguntar por uma informação que eu vou perder logo depois). Ele me lembrou muito eu mesma aos 17: a certeza da incompreensão e a sensação de estar completamente fora de qualquer padrão. Infelizmente eu não pude dizer a ele que isso passa, mas fui legal e não falei que piora.
Depois do almoço, ficamos conversando por quase uma hora, eu, o garoto de tatuí e um rapaz de Goiás. Sabe, depois que eu começo a falar, até que a timidez diminui. A parte engraçada foi a cara de espanto dos dois quando eu disse que tinha 28 anos. Tá eu só tenho 27, mas ultimamente ando confundindo. De qualquer forma, vou parar de falar minha idade, depois que as pessoas sabem elas me olham como se eu tivesse uma doença rara e incurável.
Voltei para a bancada, para terminar a tarefa que eu deveria ter começado em outubro do ano passado. Pela tarde fui dar um passeio na Santa Efigênia como pseudo-guia de um cara de Goiânia que queria comprar um gabinete ou algo assim. Ir me fez ver que eu não precisava carregar tantas coisas, dava tranquilo pra ir e voltar de casa, mas tudo bem. Voltamos, jantamos, mudei o note pra bancada dos blogs (sim! eu achei!), e fiquei por lá até umas 3 ou 4 da manhã quando fui dormir no colchão praticamente vazio.
Sobrevivi ao primeiro dia. O desafio maior foi comigo mesma: a velha de história de sair pelo mundo para encontrar ou entender o que sempre esteve aqui.
::: posted by
Trinity at 19:56
Comments:
23:28 20/01/2009 Post Tardio 1
Enfim, o Ano é Novo!
O Ano é Novo, finalmente, novo cheirando a banho tomado, casa limpa, terra vermelha, esperança, astrologia, superstição e magia. Eu sei, sei que vão dizer, que é só um ritual, um marco dentro do homem e não fora dela. O ponto não é esse. Ano Novo é como a primeira imagem que alcança a retina, o primeiro ar que preenche os pulmões, depois de uma manhã num culto budista: de fato, nada mudou, mas a sensação é de paz e poder. Pelo menos pra mim, e, bem, não espero (nem quero) que sejamos todos iguais.
Se o Ano Novo, as resoluções são velhas, mas renovadas. Ontem um pesquisador me falou que estou prestes a entrar no retorno de Saturno, e é isso mesmo que eu sinto. Reavaliação, auto sinceridade, transparência, clareza, honestidade. Sejamos abstratos: não faz diferença o fato. A esperança que me preenche é a de conseguir continuar confiante, de continuar caminhando, acreditando na minha capacidade, sem sub, nem super, estima-la. A meta para este ano é viver os dias todos, todos os dias. E, se cabe um relato parcial, tenho conseguido. Foram apenas 20 dias de 2009 e eu os tive, cada um deles.
Se fatos são necessários, os primeiros quinze dias passei entre trabalhar e ir ao hospital visitar o meu avô. Hospitais são das maiores escolas sobre o indivíduo que há. Tão ricos e eficientes como uma viagem. E como as viagens, quanto mais tempo, mais se aprende, quanto mais próximo dos companheiros, mais aprendizagem ainda vem. Aquele lance do "na saúde e na doença"? Quando eu casar, vou dispensar o moço dessa parte.
Em virtude, ou vício, de tais percalços, os preparativos para a Campus Party foram adiados até o último minuto, senão depois. O resultado foi uma mala infinitamente pesada, roupas lavadas na última hora, apetrechos demais, apetrechos de menos, ausência de pilhas para a máquina fotográfica e o computador pesando uma tonelada, se arrastando para abrir até o bloco de notas. Só agora consegui tirar os arquivos todos, desinstalar os programas inúteis, instalar o anti-vírus, etc e tal. Perdi dois dias de downloads, mas não me arrependo. A C.P é o descanso que eu tanto almejava.
E é isso. Agora estou aqui de corpo e cabeça e com a sensação de que eu mereço isso.
Segue o relato dos meus dias na nerdolândia...
::: posted by
Trinity at 19:52
Comments:
Agora. agorinha: passando nervoso por não conseguir fazer algo simples e idiota como colocar um feeds no meu blog.
Sabe, eu gosto de coisas para as quais existem cursos e tutoriais explicativos como se o leitor tivesse seis anos de idade...
Movimento "Internet para não auto-didatas"
::: posted by
Trinity at 18:34
Comments:
jueves, enero 22, 2009 :::
Fazendo o cadastro no BlogBlogs....
BlogBlogs.Com.Br
::: posted by
Trinity at 02:53
Comments:
|
|
|
|